Na manhã de segunda-feira, pouco depois das nove horas, um investidor abriu o WhatsApp e enviou uma pergunta direta aos grupos das startups em que investiu: “Se sua última rodada foi há mais de dois anos, como está a empresa hoje?”. A iniciativa, conduzida pelo autor da enquete, buscou mapear a situação de negócios que não recebem aporte há pelo menos 24 meses. Os resultados, embora não acadêmicos, trazem um retrato pontual de um recorte específico do ecossistema.
A sondagem ocorreu em dois canais distintos. Primeiro, nos grupos de WhatsApp que reúnem startups, onde 51 pessoas responderam. Dias depois, a mesma pergunta foi repetida no LinkedIn, para um público aberto, e mais 19 pessoas votaram. A diferença de alcance entre as plataformas não impediu que os percentuais fossem semelhantes em pontos centrais.
Caixa próprio sustenta quase metade
Nos grupos de WhatsApp, 45% dos respondentes afirmaram que seguem com caixa próprio e não precisam captar. No LinkedIn, o índice foi de 47%. A proximidade dos números, mesmo com amostras e canais diferentes, chamou a atenção do autor da sondagem. Isso sugere que uma parcela relevante das startups sem rodada recente conseguiu se manter sem buscar novos investimentos.
Esse dado indica resiliência financeira em um grupo que, por definição, está há mais de dois anos sem captar. A fonte não detalhou os setores ou estágios dessas empresas, mas o resultado aponta para uma gestão de caixa que dispensa, ao menos por ora, a necessidade de um novo round. A transição para o próximo bloco da pesquisa revela outros cenários.
Preparação para nova rodada divide respostas
Outro grupo relevante é o daqueles que ainda estão se preparando para captar. Nos grupos de WhatsApp, quase um em cada três disse estar se preparando para uma nova rodada nos próximos meses. No LinkedIn, o percentual foi menor: 21%. A diferença entre os canais pode refletir perfis distintos de respondentes, mas a fonte não detalhou as razões da variação.
Ainda assim, a presença de founders em preparação para captar mostra que o apetite por investimento não desapareceu. Mesmo após dois anos sem rodada, parte das startups segue ativa na busca por capital. A seguir, a sondagem aborda outra saída possível: fusões e aquisições.
M&A aparece como alternativa estável
A possibilidade de venda ou fusão apresentou praticamente o mesmo resultado nos dois ambientes. Nos grupos, 14% disseram estar avaliando M&A. No LinkedIn, foram 15%. A consistência desse número, independentemente da plataforma, sugere que a opção por M&A é considerada por uma minoria constante.
Esse percentual, embora menor que os demais, não é desprezível. Indica que, para alguns founders, a saída via fusão ou aquisição é um caminho viável diante da ausência de um próximo round. A fonte não detalhou se essas negociações estão em estágio inicial ou avançado.
Recorte específico e limitações da sondagem
O autor da enquete faz questão de ressaltar que não se trata de uma pesquisa acadêmica, nem pretende representar todo o ecossistema. Existe ainda um recorte importante: a pergunta só fazia sentido para startups cuja última rodada havia acontecido há mais de dois anos. Portanto, estamos falando de um grupo bastante específico.
Essa delimitação é essencial para interpretar os números. Startups que captaram recentemente não foram incluídas, assim como aquelas que nunca levantaram capital. Assim, os percentuais refletem apenas a realidade de quem já passou por pelo menos uma rodada e está há mais de 24 meses sem novo aporte.
Os resultados, embora limitados, oferecem pistas sobre como uma fatia do mercado de startups lida com a escassez de novos investimentos. A predominância do caixa próprio, a preparação para captar e a avaliação de M&A compõem um quadro diverso, sem uma única estratégia dominante.
Fonte
- startupi.com.br
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