Filme Ink mostra ascensão sensacionalista de Rupert Murdoch
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Antes de se tornar um magnata global da mídia, Rupert Murdoch roubou um jornal em crise e decidiu desafiar o líder de vendas britânico. Essa disputa está no centro de “Ink”, filme de Danny Boyle com exibições no Festival do Rio. A produção revisita um momento decisivo na história do jornalismo popular, quando a busca por audiência passou a ditar as regras do noticiário.

Aquisição do The Sun e missão ousada

Em 1969, o empresário australiano adquiriu o “The Sun” e entregou ao editor Larry Lamb a missão de reformulá-lo em apenas um ano. Para enfrentar o “Daily Mirror”, a dupla investiu em manchetes impactantes, crimes, escândalos e forte apelo popular. A ética poderia ficar pelo caminho, sugerindo uma guinada que marcaria época.

Com Guy Pearce como Murdoch e Jack O’Connell como Lamb, o longa revisita uma transformação que ajudou a moldar o tablóide moderno, aproximando informação e entretenimento. A narrativa acompanha os bastidores dessa reformulação agressiva, mostrando como decisões editoriais controversas foram tomadas em nome da competitividade.

Retrato simpático divide a crítica

A abordagem de Boyle, porém, dividiu a crítica. O diretor retrata o futuro magnata com simpatia e evita demonizá-lo. Em vez de condenar as práticas sensacionalistas, o filme convida o espectador a compreender o contexto da época e as motivações por trás da aposta no popular.

“Naquela época, ele representava um sopro de ar fresco na sociedade britânica”, disse ao NeoFeed, em Veneza. A proposta é fazer do público cúmplice dessa revolução controversa no jornalismo. Tal escolha gerou debates acalorados entre jornalistas e críticos presentes no festival.

Desafio editorial em um ano

Ao adquirir o The Sun, jornal que estava dando prejuízo, Murdoch propõe um desafio a Lamb, a quem entrega a responsabilidade editorial do veículo. Em apenas um ano, eles precisam reestruturar completamente um jornal falido, com uma abordagem agressiva e forte apelo popular. A pressão por resultados imediatos moldou as decisões da redação.

Embora Ink não explore as consequências disso no mundo atual, o roteiro sugere que o The Sun tenha aberto as portas para a manipulação das notícias e para a obsessão pelos chamados “click-baits” (caça-cliques), títulos exagerados para atrair cliques e garantir engajamento. Ainda assim, nada que manche a imagem de Murdoch, o que gerou certas críticas ao filme.

Críticas em Veneza e defesa de Boyle

Principalmente em Veneza, por parte de quem esperava que Boyle alfinetasse o dono de um império de mídia transcontinental, em vez de retratá-lo até com simpatia. “Rupert Murdoch não é visto aqui como um monstro. Até porque, naquela época, ele representou um sopro de ar fresco naquela sociedade britânica”, afirmou o inglês Boyle, em encontro com jornalistas durante a sua passagem pelo Festival de Veneza, que teve cobertura do NeoFeed.

O cineasta ainda destacou que Murdoch não é demonizado na peça Ink, de James Graham, em que o longa-metragem é baseado. O espetáculo, que nasceu em Londres em 2017, foi indicado ao prêmio Tony, em sua passagem pela Broadway, em 2019. A origem teatral do projeto reforça o tom de crônica histórica, sem julgamentos morais explícitos.

Reação de Murdoch ao projeto

Qual foi a ocorrência de Murdoch ao tomar conhecimento do projeto? “É melhor que James Graham [autor da peça e do roteiro do filme] responda, por Murdoch ter visto a peça de teatro”, disse Boyle, passando a palavra ao companheiro de equipe. A pergunta sobre a reação do magnata ficou no ar, gerando curiosidade sobre sua postura diante da própria história.

“Sim. Murdoch viu uma peça no West End, com alguns familiares. Depois, voltou a vê-la na Broadway. E eu só me lembro de Murdoch não ter revelado grande coisa, o que talvez seja um dos segredos do seu sucesso ao longo dos anos”, comentou o roteirista. A discrição do empresário, segundo Graham, pode ter contribuído para sua longevidade no comando dos negócios.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

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