Live Nation negocia compra da Farmasi Arena no Rio
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A Live Nation, gigante global do entretenimento e controladora da Ticketmaster, negocia a compra da operação da Farmasi Arena, antes conhecida como Rioarena, apurou o InvestNews. O movimento ocorre poucos meses após a empresa anunciar a construção de uma arena em São Paulo, sinalizando uma estratégia agressiva de expansão no mercado brasileiro de casas de espetáculos. A negociação envolve a administração do espaço localizado na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro, e pode consolidar a Live Nation como uma das principais gestoras de arenas no país.

Memorando assinado com a GL Events

Live Nation e GL Events assinaram no fim de setembro um memorando de entendimento não vinculante, que é um acordo preliminar que estabelece as bases da negociação, sem obrigar as empresas a concluir a compra. A GL Events, multinacional francesa, administra a arena desde 2007, quando o espaço foi inaugurado para os Jogos Pan-Americanos. O memorando indica que as partes avançaram nas conversas, mas ainda há etapas a cumprir antes de um acordo definitivo.

A operação precisa de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e o valor da aquisição não foi divulgado. A fonte não detalhou prazos para a conclusão do negócio.

Capacidade e histórico da arena

A Farmasi Arena tem capacidade para cerca de 17 mil pessoas e é um dos principais equipamentos culturais do Rio de Janeiro. Construída para os Jogos Pan-Americanos de 2007, a arena também ficou conhecida como HSBC Arena e Jeunesse Arena, refletindo mudanças de patrocinadores ao longo dos anos. Já recebeu apresentações de artistas como Paul McCartney, Beyoncé e Amy Winehouse, consolidando-se como palco de turnês internacionais.

A Live Nation também promoveu no local shows da turnê de Caetano Veloso e Maria Bethânia, o que demonstra familiaridade com a operação do espaço. A casa está estrategicamente localizada na Barra da Tijuca, região de crescimento imobiliário e forte apelo turístico.

Planos de modernização e uso

Os planos da Live Nation incluem melhorias na estrutura da arena, nos assentos, nas áreas de hospitalidade, nos corredores de circulação e nos sistemas audiovisuais. O objetivo é modernizar as instalações e melhorar a experiência do público e a operação do espaço. A empresa pretende utilizar a arena para uma programação diversificada: shows, musicais, peças de teatro, espetáculos de comédia, festivais e eventos esportivos, organizados tanto pela própria empresa quanto por outras produtoras.

Essa flexibilidade de uso pode aumentar a taxa de ocupação do equipamento e atrair diferentes públicos ao longo do ano. A fonte não detalhou o cronograma das obras nem o investimento previsto para as reformas.

Concessão até 2046

O negócio abrange os direitos da concessão outorgada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, válida até 30 de junho de 2046. Se a aquisição for concluída, a Live Nation assumirá a gestão e a exploração comercial da arena, com um horizonte de quase duas décadas para operar o espaço. Esse longo prazo justifica o interesse da empresa em investir em melhorias estruturais, pois o retorno financeiro pode ser diluído ao longo dos anos.

A concessão pública também impõe obrigações contratuais que a Live Nation deverá cumprir, como manutenção do equipamento e realização de eventos de interesse da cidade. A fonte não detalhou os termos específicos da concessão.

Reforço na presença brasileira

A compra reforçaria a presença da Live Nation na gestão de espaços de espetáculos no Brasil. Além de produzir shows e turnês, o grupo americano tem participação majoritária na Rock World, criadora do Rock in Rio e do The Town e produtora do Lollapalooza Brasil. Com a Farmasi Arena, a empresa passaria a controlar diretamente uma casa de espetáculos de grande porte no Rio de Janeiro, ampliando sua capacidade de verticalizar a cadeia de produção e venda de ingressos.

A integração com a Ticketmaster, plataforma de venda de ingressos do grupo, pode gerar sinergias operacionais e comerciais. A fonte não detalhou se haverá mudanças na política de preços ou na gestão de ingressos da arena.

Arena São Paulo como precedente

A arena carioca se somaria a outro projeto do grupo no país. Em julho, a Live Nation anunciou uma parceria com a Cidade Center Norte para construir a Arena São Paulo, na zona norte da capital paulista.

O empreendimento, que deverá exigir R$ 1,5 bilhão em investimentos, terá capacidade para até 21 mil pessoas e inauguração prevista para 2028. A construção de uma arena própria em São Paulo e a possível aquisição da Farmasi Arena no Rio indicam uma estratégia de atuação em dois dos maiores mercados consumidores de entretenimento do Brasil. A fonte não detalhou se há planos para outras cidades.

Próximos passos da negociação

Para que a compra seja concluída, a Live Nation e a GL Events precisam avançar do memorando de entendimento para um contrato definitivo de compra e venda. Em seguida, o negócio será submetido à análise do Cade, que avaliará possíveis impactos concorrenciais no mercado de casas de espetáculos e venda de ingressos. O valor da aquisição não foi divulgado, e a fonte não detalhou a estrutura financeira da operação.

A expectativa é que, se aprovada, a transação fortaleça a posição da Live Nation no Brasil, que já conta com festivais consolidados e uma plataforma de ingressos líder de mercado. A fonte não informou quando o Cade deve se pronunciar sobre o caso.

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