O dólar voltou a operar abaixo de R$ 5, renovando a menor cotação vista em 2026 e igualando o patamar mais baixo registrado desde maio de 2022. Na segunda-feira (5), a moeda americana caiu mais de 4% frente ao real, para R$ 5, e manteve a toada no pregão seguinte. Nesta terça-feira, fechou com novo recuo de 0,36%, a R$ 4,97, reabrindo uma janela que só se repetiu três vezes desde maio de 2022.
O movimento reflete um conjunto de fatores domésticos e externos, mas também levanta a pergunta: é hora de entrar? Para especialistas, o momento é favorável para aumentar posições no exterior ou reforçar compras para viagem, embora o histórico recente mostre que o dólar pode cair ainda mais — e é impossível saber até onde.
Real acumula valorização de 9,19% no ano
No acumulado de 2026 até 6 de outubro, o real registra valorização de 9,19% frente ao dólar. Contudo, esse ganho chegou perto de zerar em março, logo após o início da guerra no Irã e com a moeda americana ganhando fôlego em meio ao início do corte de juros pelo Banco Central brasileiro. A recuperação posterior devolveu força à divisa brasileira, levando o dólar ao atual patamar abaixo de R$ 5.
O volume negociado em futuros de real na segunda-feira ilustra a intensidade do movimento. Conforme o CME, foram US$ 3,1 bilhões (R$ 15 bilhões) em 153.977 contratos, um dos três maiores volumes diários da história do contrato. Esse fluxo sugere forte interesse de investidores estrangeiros e locais na moeda brasileira.
Analistas veem espaço para R$ 4,50
Várias casas de análise, como o Goldman Sachs e o UBS, avaliam que o dólar pode recuar até R$ 4,50 se se confirmar a possibilidade de um ajuste fiscal mais forte após as eleições. A expectativa de uma política econômica mais austera tende a atrair capital estrangeiro e valorizar o real. No entanto, os próprios bancos ressaltam condicionantes importantes.
De acordo com relatório do Goldman Sachs, assinado por nomes como Solange Srour, Luciano Telo e Ronaldo Patah, “olhando mais à frente, será fundamental acompanhar quem será indicado para comandar a equipe econômica do novo governo, além do grau de ambição do plano de consolidação fiscal”. Ou seja, a trajetória do câmbio dependerá das escolhas políticas e da credibilidade fiscal.
Riscos fiscais e externos permanecem no radar
Na visão do UBS, os riscos de execução do plano no Congresso também estarão no radar: mesmo um mandato político forte não garante a aprovação de reformas nos gastos obrigatórios. A dificuldade de implementar ajustes estruturais pode limitar a queda do dólar ou reverter o movimento. Além disso, no cenário externo, uma deterioração significativa das condições financeiras globais pode impactar negativamente os ativos brasileiros, independentemente do ciclo político doméstico.
Assim, a janela atual, embora atrativa, não é isenta de riscos. O investidor precisa considerar que uma janela de real tão valorizado como a atual só se repetiu três vezes desde maio de 2022. E agora, pela quarta vez ao longo dos últimos cinco anos, o dólar volta a passar um período abaixo de R$ 5.
Estratégia recomendada: compra gradual e regular
A principal recomendação de especialistas é a de que o interessado em comprar dólares ou quem busca ampliar a diversificação em moeda forte aproveite o momento. Mas também use a estratégia do câmbio médio, ou seja, faça operações regulares de aquisição ou aplicação na divisa dos EUA. Essa abordagem dilui o risco de tentar acertar o fundo do mercado e suaviza oscilações.
Para quem planeja viagem ou remessa ao exterior, o patamar abaixo de R$ 5 representa uma oportunidade rara, mas não garante que o preço não caia mais. A orientação é agir com planejamento e sem euforia, aproveitando a janela sem concentrar toda a compra em um único dia.
Fonte
- investnews.com.br
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