Líderes mundiais enfrentam desgaste em 2026
Este é um ano ruim para quem está no poder. O presidente Donald Trump se aproxima de novos recordes de impopularidade nas pesquisas, enquanto os republicanos se preparam para uma difícil disputa nas eleições legislativas de meio de mandato. Mas, mesmo com a aprovação em torno de 35%, Trump não está tão mal na comparação com outros líderes mundiais.
O cenário internacional revela um padrão de desgaste de governantes. No Reino Unido, o ex-primeiro-ministro Keir Starmer teve de deixar o cargo pouco mais de dois anos depois de sua vitória esmagadora nas eleições de julho de 2024. Na Espanha, o acuado primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou eleições antecipadas após sofrer uma dura derrota em sua agenda emergencial de proteção aos direitos dos inquilinos.
Esses exemplos ilustram como a permanência no poder pode corroer o capital político. A insatisfação popular com resultados concretos supera a esperança inicial depositada nos líderes. A transição para a próxima seção explora as raízes desse fenômeno.
O paradoxo do outsider que vira sistema
Assim como a família Bolsonaro, Trump se beneficiou da rejeição aos políticos tradicionais ao se apresentar como alguém de fora do sistema, mas perdeu quando disputou a reeleição. Como um candidato outsider carismático que prometia combater os vícios da política, conquistou os eleitores. Agora que comanda o sistema que prometia transformar, perde apoio.
Esse ciclo não é exclusivo dos Estados Unidos. Líderes populistas em diferentes países ascendem com a promessa de renovação, mas enfrentam dificuldades ao implementar mudanças. A distância entre o discurso de campanha e a realidade do governo gera frustração no eleitorado. A fonte não detalhou outros exemplos, mas o padrão é recorrente.
A retórica antissistema perde força quando o próprio líder se torna a face do establishment. A próxima seção analisa como slogans populares se transformam em políticas impopulares.
Quando slogans viram políticas impopulares
Mas, como Trump e outros políticos que desafiaram o sistema descobriram, slogans populares frequentemente se transformam em políticas impopulares. O protecionismo, sobretudo quando acompanhado de gastos sem disciplina, pode alimentar a inflação. Uma postura de firmeza na defesa nacional pode levar um governante a guerras impopulares.
As consequências práticas dessas escolhas afetam diretamente a vida dos cidadãos. A inflação corrói o poder de compra, enquanto conflitos militares geram custos humanos e econômicos. Os eleitores tendem a responsabilizar os governantes por esses resultados negativos. A insatisfação se reflete nas pesquisas e nas urnas.
Além disso, medidas com apelo inicial podem gerar efeitos colaterais imprevistos. A próxima seção aborda um exemplo específico: a ofensiva contra a imigração.
Imigração: apoio popular e efeitos colaterais
Uma ofensiva contra a imigração que tenha apoio popular pode produzir casos chocantes de brutalidade e abuso, afastando parcelas importantes do eleitorado. Uma nova leva de populistas contrários a quem está no poder, mobilizando apoiadores pelas redes sociais e pela política da indignação, surgirá para derrotá-lo nas próximas eleições.
Esse movimento cria um ciclo de polarização e instabilidade. A indignação pública com abusos pode minar a credibilidade do governo. Ao mesmo tempo, a oposição encontra terreno fértil para crescer. A dinâmica política se torna mais volátil e imprevisível.
Apesar desse cenário turbulento, há espaço para otimismo cauteloso. A próxima seção examina a resiliência histórica das democracias.
O bom senso do eleitor comum
A história política dos Estados Unidos, marcada por disputas, sugere que não seguiremos esse caminho ruinoso até o fim. Ao longo de 250 anos de turbulências econômicas e mudanças sociais, o bom senso do eleitor comum acabou mantendo o país em um rumo razoavelmente estável e razoavelmente democrático.
Grandes presidentes americanos, como George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln, Theodore e Franklin Roosevelt e Ronald Reagan, recorreram a essa reserva de bom senso para conduzir o país em tempos difíceis. A tradição de moderação e pragmatismo do eleitorado tem sido um fator de equilíbrio. A fonte não detalhou exemplos específicos desses períodos, mas a referência histórica é clara.
Essa confiança na sabedoria popular não elimina os riscos, mas oferece uma perspectiva de contenção. A análise conclui com uma reflexão sobre o autor e o contexto.
Análise de especialista em estratégia política
Walter Russell Mead ocupa o posto de pesquisador Ravenel B. Curry III em Estratégia e Política de Estado no Instituto Hudson, assina a coluna Global View no The Wall Street Journal e é titular da cátedra Alexander Hamilton de Estratégia e Política de Estado na Escola Hamilton de Educação Clássica e Cívica da Universidade da Flórida.
A visão de Mead combina análise histórica e contemporânea. Sua perspectiva destaca a importância de compreender as forças profundas que moldam a política. O texto original foi publicado em inglês e traduzido para o português do Brasil.
Em resumo, 2026 se desenha como um ano de desafios para governantes em todo o mundo. A desvantagem de estar no poder é um fenômeno global, com raízes na frustração popular e na dinâmica dos outsiders. Resta observar se o bom senso do eleitor prevalecerá mais uma vez.
Fonte
- investnews.com.br
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- pesquisa recente (www.infratest-dimap.de)
- coluna Global View no The Wall Street Journal (www.wsj.com)
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