Habib's tem pedido de recuperação judicial deferido
Crédito: neofeed.com.br
Crédito: <a href="https://neofeed.com.br/negocios/o-que-vai-ser-do-habibs-com-o-pedido-de-recuperacao-judicial/" rel="nofollow noopener noreferrer" target="_blank">neofeed.com.br</a>

O Grupo Gennius, controlador da rede Habib’s e dono de marcas como Ragazzo, Tendal Grill e Mita, é o mais novo nome na onda de empresas que recorrem à recuperação judicial (RJ) no Brasil. O grupo entrou com pedido de RJ devido a uma dívida de R$ 265,2 milhões, e o pedido foi deferido pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na segunda-feira, 24 de agosto. Fundada em 1987 pelo empresário Antônio Alberto Saraiva, a empresa terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação. A partir da decisão, ações e execuções contra o grupo estão suspensas.

Crise financeira e efeitos da pandemia

Na petição judicial, o Grupo Gennius argumentou que sua crise financeira teve como ponto de partida a pandemia da Covid-19. A empresa afirmou que passou a verificar um descompasso entre os investimentos realizados e a receita obtida.

Além disso, incluiu nesse pacote as mudanças nos hábitos de consumo que se estabeleceram no pós-pandemia e que, segundo a empresa, impactaram diretamente o setor de fast-food. O grupo também citou o cenário macroeconômico adverso, traduzido especialmente no ciclo de elevação das taxas de juros.

Esse conjunto de fatores, de acordo com a companhia, agravou as dificuldades financeiras já existentes.

Decisão judicial e administradora

Em sua decisão, o juiz Jomar Juarez Amorim nomeou a KPMG como administradora judicial. A consultoria deverá apresentar um relatório sobre a situação das marcas que compõem o grupo e avaliar o pedido para que essas operações sejam tratadas de forma consolidada no processo.

O magistrado determinou a suspensão de todas as ações e execuções de dívidas contra o Grupo Gennius, além de ordenar que os credores não interrompam ou suspendam contratos mantidos com a empresa. Com isso, o grupo terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação.

Na mesma decisão, o juiz manteve a trava bancária sobre recebíveis dados como garantia a bancos, preservando a segurança jurídica dos contratos.

Histórico de proteção e renegociação

Antes de obter a recuperação judicial, o Grupo Gennius já havia buscado proteção contra execuções de dívidas. Em uma petição que, tradicionalmente, é uma espécie de pré-pedido de RJ, a empresa afirmava ter uma dívida acumulada de R$ 312,4 milhões e alegava que teria dificuldade de seguir com suas operações sem essa blindagem.

O deferimento da Justiça chega quase dois meses depois de o grupo decidir ir à Justiça para pedir a proteção contra cobranças por um período de 60 dias, conforme revelou com exclusividade o NeoFeed.

Naquela ocasião, o juiz concedeu parte dos pedidos, permitindo a suspensão das ações de cobrança até o início de setembro, eliminando o risco de a empresa ser acionada judicialmente pelos credores nesse intervalo. Entretanto, o magistrado negou a solicitação de liberação dos recebíveis que haviam sido dados como garantia a bancos, mantendo as travas bancárias e a segurança jurídica dos contratos — posição que foi mantida na decisão da última segunda-feira.

Em paralelo, o Gennius ingressou com um processo no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), do Foro Regional II, em Santo Amaro, na capital paulista, para renegociar suas dívidas.

Estrutura do grupo no pedido

O pedido de recuperação judicial envolve 178 pessoas jurídicas. A estrutura inclui, entre outras frentes:

  • 10 franqueadoras e holdings de participação;
  • 17 sociedades de estrutura operacional;
  • 119 lojas da bandeira Habib’s;
  • 26 unidades da Ragazzo;
  • 6 churrascarias com a marca Tendal Grill.

Essa estrutura foi usada, inclusive, como mais um argumento para solicitar a blindagem contra execuções de dívidas e demonstrar a intenção do grupo de entrar em acordo com parte dos seus credores. A diversidade de marcas e operações, no entanto, também será analisada pela administradora judicial, que deverá se manifestar sobre a viabilidade do tratamento consolidado das operações.

Posicionamento e próximos passos

Em nota, o Grupo Gennius ressaltou que a recuperação judicial tem como objetivo preservar “a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo”. O grupo afirmou que suas operações seguem funcionando normalmente, com a manutenção do atendimento aos clientes, da rotina e da “qualidade das suas unidades”.

Agora, a expectativa é a apresentação do plano de recuperação no prazo de 60 dias, documento que deverá detalhar como a empresa pretende reestruturar suas dívidas. A administradora judicial, por sua vez, apresentará um relatório sobre a situação das marcas, que será essencial para o andamento do processo.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
+ 61 = 69


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários