A publicação “Câncer de pulmão gera R$ 885 milhões em custos hospitalares em cinco anos”, divulgada no portal Medicina S/A, traz um dado expressivo: a doença gerou R$ 885 milhões em custos hospitalares no período de cinco anos — uma média de R$ 177 milhões por ano.
O levantamento utilizou informações do DataSUS para ampliar a análise das hospitalizações por câncer de pulmão no SUS. Como fonte complementar, o DataSUS/SIH-SUS permitiu dimensionar as internações diretamente atribuídas à doença, que somaram 261.662 casos entre 2016 e 2025.
Metodologia e fontes de dados
A pesquisa recorreu ao DataSUS como uma das principais fontes de informação. O objetivo foi ampliar o entendimento sobre as hospitalizações por câncer de pulmão no sistema público, considerando não apenas os registros diretos.
O SIH-SUS, por sua vez, serviu como complemento para dimensionar a magnitude das internações. Entre 2016 e 2025, foram 261.662 internações em que o câncer de pulmão apareceu como causa principal.
Essa abordagem permite enxergar um cenário mais completo do impacto da doença sobre a rede hospitalar, ainda que a fonte não detalhe a metodologia completa de cruzamento dos dados.
Internações diretas e com outra causa principal
Um dos diferenciais do levantamento foi analisar o que acontece quando o paciente com câncer de pulmão chega ao hospital, mas a neoplasia não é o principal motivo registrado da internação. Nessa situação, foram identificadas 24.028 hospitalizações.
Esse número é próximo ao total de 26.309 internações diretamente atribuídas ao câncer de pulmão. Em 44,5% dos casos indiretos, o principal motivo da hospitalização foi classificado em grupos potencialmente relacionados ao câncer, à doença metastática ou ao tratamento.
Na prática, os dados indicam que o câncer de pulmão também impõe demanda hospitalar quando não é a causa principal do internamento. A proporção dessas internações é relevante para dimensionar a carga da doença sobre o SUS.
Mortalidade hospitalar
Por faixa etária
A mortalidade hospitalar por câncer de pulmão aumenta progressivamente com a idade. A taxa foi de 16,5% entre pacientes de 18 a 59 anos e alcançou 27,6% entre aqueles com 80 anos ou mais. A diferença entre os grupos etários atingiu 11,1 pontos percentuais.
Por sexo
Entre homens e mulheres também houve diferença. A mortalidade masculina ficou em 22,9%, enquanto a feminina foi de 18,7%.
Complexidade assistencial
Entre as internações diretamente atribuídas ao câncer, 28,2% envolveram utilização de CTI (Centro de Terapia Intensiva). Em 12,8% dos casos, foi necessário o uso de ventilação mecânica.
A permanência média das internações foi de 7,1 dias. Esses indicadores mostram a complexidade do atendimento e a infraestrutura necessária para o cuidado desses pacientes.
A associação entre CTI, ventilação e permanência prolongada sugere um perfil de alta gravidade. A fonte não detalhou, entretanto, o cruzamento específico entre esses indicadores.
Impacto da metástase
A pesquisa aponta que, em casos de metástase, a mortalidade hospitalar mais que dobra. A fonte não detalhou os percentuais específicos desse recorte, mas a informação reforça a importância do diagnóstico precoce.
Quando se observam os dados de CTI e ventilação mecânica, é possível notar que o tratamento do câncer de pulmão no SUS exige alta complexidade assistencial. A combinação desses fatores ajuda a explicar o montante de R$ 885 milhões em custos hospitalares.
O levantamento também não informa se a mortalidade por metástase foi analisada em conjunto com as internações indiretas identificadas no estudo.
Desigualdades regionais
A análise revelou diferenças regionais importantes. A região Sul apresentou a maior incidência de internações, com 23 casos por 100 mil habitantes.
Já a região Norte registrou a maior mortalidade hospitalar, de 32,7%, e a maior permanência média, de 9,3 dias. Esse índice supera em 2,2 dias a permanência média geral de 7,1 dias, sinalizando desigualdades no acesso e na estrutura de atendimento.
A fonte, no entanto, não detalhou os motivos dessas desigualdades regionais.
Impacto econômico
O título da publicação sintetiza o impacto econômico: R$ 885 milhões em custos hospitalares em cinco anos. Esse montante, associado aos indicadores de mortalidade e utilização de CTI, evidencia a dimensão do problema para o sistema público de saúde.
A publicação não detalha desdobramentos orçamentários para o período seguinte, tampouco a projeção de custos para os próximos anos, nem a correção monetária dos valores.
