Brasil em pesquisa global pela cura da hepatite B
Crédito: medicinasa.com.br
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Uma pesquisa internacional inédita, com participação brasileira, busca avançar rumo à cura da hepatite B, doença viral que afeta o fígado e ainda não tem tratamento definitivo. O estudo, conduzido por um consórcio de quatro países, terá duração de cerca de cinco anos e analisará, a nível celular, o comportamento do vírus e as respostas imunológicas de pacientes infectados. A iniciativa pretende identificar características genéticas e subpartículas virais que possam servir como preditores de cura ou de tratamento.

Objetivo global: eliminar a hepatite B até 2030

“A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global”, afirma a professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, referência no assunto. “O primeiro objetivo é eliminar as hepatites virais, no nosso caso aqui, eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030”, enfatiza. A pesquisadora lidera a equipe brasileira no consórcio, que foi criado em 2023, suspenso em 2024 e retomado no ano seguinte. No Brasil, o estudo teve início este ano e deverá durar cerca de cinco anos, integrando pesquisa científica básica com prática clínica.

Reuter explica que os pesquisadores irão observar 600 pacientes com hepatite B e com coinfecção por hepatite B e HIV por cerca de quatro anos e meio cada. Serão 150 pacientes de cada país participante; desses, 75 serão analisados pela equipe dela. A metodologia busca entender por que o vírus evolui de forma diferente em cada indivíduo e quais fatores genéticos podem proteger contra uma progressão mais rápida da doença.

Busca por alvos para novos fármacos

O estudo pretende identificar o que faz com que o vírus evolua diferentemente em cada paciente, quais características genéticas são capazes de proteger as pessoas de uma evolução mais rápida e quais subpartículas do vírus podem funcionar como preditores de cura ou de tratamento. “Eu quero descobrir alvos que possam auxiliar no manejo para cura da hepatite B”, explica a pesquisadora. “[O que for achado] pode ser um alvo para desenvolvimento de fármacos, sejam imunoestimuladores, imunomodulador, etc”, diz.

Reuter iniciou o recrutamento dos pacientes em julho e, até o momento, conta com 40 participantes. Ela pretende ter o grupo de 75 completo até o final deste ano. O prazo dado pela pesquisa é até meados de 2027. A expectativa é que os resultados contribuam para o desenvolvimento de novas terapias capazes de controlar ou eliminar o vírus.

Hepatite B: um risco silencioso e prevenível

“O vírus da hepatite B é um dos maiores causadores de câncer hepático. Câncer primário de fígado ou hepatocarcinoma”, alerta Reuter. “A gente está aqui trabalhando para mitigar a evolução de cirrose e câncer hepático”, enfatiza. A hepatite B é uma doença viral silenciosa que ataca o fígado e pode levar a quadros de cirrose, câncer hepático e morte. Segundo a OMS, cerca de 240 milhões de pessoas vivem com infecção crônica, conforme dados de 2024.

Somente no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 276,6 mil casos foram confirmados entre 2000 e 2022. A transmissão pode ocorrer por via sexual, contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou parto. De acordo com a Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), o vírus do tipo B é 100 vezes mais contagioso que o HIV.

Vacina é a principal forma de prevenção

De acordo com o Ministério da Saúde, a principal forma de prevenção é a vacina, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para todas as pessoas não vacinadas, independentemente da idade. Para crianças, a recomendação é de quatro doses: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses de idade. Já para a população adulta, via de regra, o esquema completo se dá com aplicação de três doses.

Outras formas de prevenção incluem o uso de preservativo interno e externo em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos perfurocortantes e de uso pessoal. A pesquisa em andamento representa uma esperança concreta para milhões de pessoas que convivem com a hepatite B crônica, mas a prevenção continua sendo a ferramenta mais eficaz contra a doença.

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