O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) vão disputar em 25 de outubro o segundo turno das eleições para comandar o país, depois de terminarem a primeira rodada com 45,12% e 47,06% dos votos válidos, respectivamente. Quem vencer terá que governar com um Congresso mais alinhado à direita, escolhido pelos brasileiros neste domingo (4). E a relação com deputados e senadores em sua nova composição vai ser fundamental para entender até que ponto o programa de governo de cada um consegue avançar.
Equilíbrio de forças tende a persistir
Segundo a cientista política, a distribuição de cadeiras entre esquerda, centro e direita costuma variar pouco de uma eleição para outra, mesmo quando muitos deputados são substituídos. As exceções recentes foram 2002, quando a bancada do PT cresceu com a primeira eleição de Lula, e 2018, quando o então PSL saltou com a vitória de Jair Bolsonaro. “Eu posso ter 50%, 40% de renovação dos deputados, mas manter o mesmo equilíbrio de forças”, explica.
A projeção do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) apontava para uma renovação entre 39% e 43%; os dados exatos não haviam sido divulgados ainda na noite de domingo (4).
Bancadas de PL e PT no novo Congresso
No Congresso de hoje, o PL tem a maior bancada nas duas Casas. Na Câmara, são 98 deputados – e vai passar a 121 com a votação neste domingo. O PT tem 65 e chega a 82 na federação formada com PCdoB e PV – e cai para 77. No Senado, são 15 senadores do PL e 9 do PT – o primeiro passou para 28, e o segundo manteve o número de representantes.
Das 54 vagas em disputa neste ano, 6 são (eram) do PL, 6 do PT e 11 do PSD, partido de centro liderado por Gilberto Kassab. Entre os 27 senadores com mandato até 2031, o PL tem 9, e o PT, 3.
Facilidade para formar maioria
Se o equilíbrio de forças atual se mantiver, a cientista política avalia que o senador terá mais facilidade do que o atual presidente para formar maioria, porque as prioridades dos partidos de centro-direita estão mais próximas das da legenda dele. O exemplo que a professora dá é o Ministério da Saúde, que o PP quer comandar. Com 46 deputados e 8 senadores, o partido integra hoje o maior bloco parlamentar da Câmara, com 272 deputados, acima da maioria absoluta de 257.
Disputa pelo Ministério da Saúde
Segundo Lara, o PP tem uma agenda de maior participação do setor privado na saúde, que ficou clara quando o deputado federal Ricardo Barros foi ministro no governo Michel Temer. Para um governo do PT, por outro lado, entregar o ministério a esse partido significaria abrir mão de uma de suas principais bandeiras. Para um governo do PL, o acordo teria menos custo político e ainda traria quadros com experiência na área.
Estratégia de Lula em um quarto mandato
Já o presidente Lula, de acordo com a professora, em um potencial quarto mandato aceitaria dividir o governo com outros partidos, mas preservaria ministérios que definem a identidade do PT, como Saúde, Educação, Desenvolvimento Social e Fazenda. Foi assim nos mandatos anteriores, quando legendas do Centrão entraram na base sem chegar a essas pastas. O resultado tem sido um governo sem maioria estável, que sofreu derrotas como a rejeição da nomeação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril.
Governo minoritário e avanços possíveis
“Um governo minoritário não é um governo que não faz nada. É um governo que tem que escolher melhor as suas batalhas e que vai conseguir avançar menos do que gostaria”, afirma a cientista política. Entre os avanços, mesmo com desvantagem no Congresso, Lara cita a aprovação da reforma tributária e o debate sobre o fim da escala 6×1. Para a professora, essas pautas andaram porque ganharam apoio fora do Congresso, entre formadores de opinião e no setor produtivo, ao qual os parlamentares são sensíveis.
Fonte
- investnews.com.br
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