Mascotes IA: empresas usam fofura contra ansiedade
Crédito: investnews.com.br
Crédito: <a href="https://investnews.com.br/the-wall-street-journal/empresas-de-tecnologia-lancam-mascotes-fofos-para-aliviar-a-ansiedade-com-a-ia/" rel="nofollow noopener noreferrer" target="_blank">investnews.com.br</a>

As empresas de inteligência artificial estão tentando uma nova estratégia para conquistar o público: usar personagens que parecem bichos de pelúcia para, potencialmente, fazer com que sua tecnologia pareça um pouco menos assustadora. A iniciativa surge em um momento de crescente apreensão sobre os avanços da IA, com companhias buscando formas de humanizar seus produtos. Os novos agentes de IA da OpenAI são representados por personagens coloridos que usam gravatas-borboleta e óculos, enquanto o mascote do assistente Muse, da Meta, é uma figura em formato de ovo, com bochechas rosadas.

A Anthropic, por sua vez, tem seu simpático caranguejo laranja pixelado, Clawd.

Fofura como antídoto para o medo

“O medo da IA cresce todos os dias, e é difícil ter medo de algo fofo”, disse o experiente consultor de marcas Allen Adamson. “É mais fácil confiar em algo amigável.” A declaração reflete a aposta das empresas em mascotes para suavizar a percepção pública da tecnologia. Mais da metade desse valor foi gasto nos primeiros oito meses deste ano, indicando um investimento acelerado nessa abordagem. A mais recente mudança na forma de apresentar a IA chega aos mais altos níveis do governo.

O presidente Trump recentemente assinou uma ordem executiva renomeando “inteligência artificial” como “superinteligência”, para destacar seu potencial. Essa movimentação política reforça a necessidade de estratégias que tornem a IA mais palatável ao grande público.

OpenAI lança Dots após cancelar modelo

Na segunda-feira, a OpenAI anunciou que estava cancelando o lançamento de seu próximo modelo de IA por questões de segurança. Um dia depois, apresentou os Dots, seus novos agentes de IA. Os usuários podem personalizar a aparência e os nomes de seus próprios Dots, o que, segundo especialistas, aumenta o vínculo emocional. “As pessoas não têm medo daquilo que nomeiam; elas adotam isso”, disse Adamson. A OpenAI afirmou que os Dots devem aparecer nas campanhas publicitárias que a empresa está desenvolvendo para o novo produto.

A transição de um cancelamento para um lançamento lúdico sugere uma tentativa de redirecionar a narrativa para aspectos mais amigáveis da tecnologia.

Meta leva Jolly para o mundo real

Quando a Meta apresentou seu agente de IA, o Muse, durante a conferência Meta Connect no mês passado, uma versão em tamanho real de seu mascote, Jolly, dançou com os participantes. A presença física do personagem gerou engajamento e reforçou a imagem de acessibilidade. Jolly agora aparece em outdoors do Muse em Nova York e São Francisco e faz participações em comerciais de TV do Muse.

Anúncios online mostram o personagem usando uma faixa na cabeça e um agasalho esportivo como auxiliar em exercícios, ou com fones de ouvido enquanto faz compras pela internet. A estratégia da Meta demonstra como os mascotes podem ser integrados a múltiplas plataformas para ampliar o alcance da marca.

Clawd vira fenômeno de produtos não oficiais

O marketplace online Etsy está repleto de produtos não oficiais do Clawd; um vendedor oferece uma versão de pelúcia não autorizada do caranguejo, com 9,4 polegadas, por US$ 148,23. A popularidade do mascote da Anthropic indica que os personagens estão ressoando com o público além das campanhas oficiais. Mascotes já ajudaram a convencer consumidores a comprar outros produtos potencialmente pouco atraentes ou perigosos. O personagem de desenho animado Joe Camel, por exemplo, acrescentou um fator de coolness aos cigarros durante décadas.

“O personagem se torna a marca, transformando uma tecnologia abstrata em um amigo reconhecível”, disse ela. Essa dinâmica pode ser um fator decisivo para a adoção de novas tecnologias de IA.

Estratégia de branding em evolução

A adoção de mascotes fofos representa uma mudança significativa na comunicação das empresas de tecnologia, que historicamente focavam em aspectos técnicos e futuristas. Ao humanizar a IA, as companhias buscam reduzir barreiras psicológicas e criar conexões emocionais com os usuários. A personalização dos Dots, a presença física de Jolly e a viralidade de Clawd mostram diferentes abordagens dentro da mesma tendência. Especialistas observam que, embora a estratégia possa ser eficaz, ela também levanta questões sobre a transparência na comunicação dos riscos da IA.

A fonte não detalhou se haverá regulamentação específica para o uso de mascotes em produtos de IA. O futuro dirá se a fofura será suficiente para equilibrar a confiança e a cautela do público.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
56 + = 57


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários