Payroll forte reduz apostas em corte de juros nos EUA
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O mercado de trabalho americano mostrou força em maio, com a criação de 172 mil postos de trabalho, segundo o payroll divulgado nesta sexta-feira. O número superou as expectativas e reduziu as apostas em um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) no curto prazo. A taxa de desemprego ficou em 4,3%, enquanto os salários médios por hora avançaram 0,3% no mês, acumulando alta de cerca de 3,4% em 12 meses.

Mercado de trabalho segue sólido

Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, o conjunto dos dados reforça a visão de que o mercado de trabalho americano segue sólido. Ela afirma que os dados reduzem as chances de flexibilização monetária no curto prazo. A taxa de participação da força de trabalho permaneceu estável em 61,8%, indicando que mais pessoas continuam buscando emprego.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, avalia que os números praticamente encerram o debate sobre uma possível deterioração do mercado de trabalho americano. Para ele, os números deslocam o foco do Fed para a inflação. O Federal Reserve possui um mandato duplo: controlar a inflação e garantir condições favoráveis para o emprego.

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Apostas em corte de juros recuam

Com o payroll forte, a aposta na manutenção dos juros no atual intervalo de 3,50% a 3,75% recuou de 47,4% para 28,4%. Isso significa que o mercado agora vê maior probabilidade de o Fed manter a taxa inalterada ou até elevá-la. Os próximos indicadores de preços, especialmente o índice de inflação dos Estados Unidos que será divulgado na próxima semana, devem ajudar a calibrar as expectativas antes da reunião do Fomc, marcada para os dias 16 e 17 de junho.

Mercados globais reagem

O setor privado superou as expectativas, com geração de 120 mil empregos no mês. Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, destacava que o payroll seria o principal evento do dia para os mercados globais. Na avaliação dela, a expectativa predominante era de uma desaceleração mais intensa do mercado de trabalho americano.

Às 13h, nos Estados Unidos, o Dow Jones caía 0,68%, o S&P 500, 1,50% e o Nasdaq, 2,50%. A reação negativa reflete a percepção de que juros mais altos por mais tempo podem comprimir valuations e desacelerar a economia.

Cautela com inflação

O BTG Pactual vê alguns sinais que recomendam cautela antes de concluir que as pressões inflacionárias voltarão a acelerar. Os economistas Luiza Paparounis e Francisco Lopes destacam que os salários continuam avançando em ritmo relativamente moderado. Ainda assim, o payroll forte reforça a narrativa de que o Fed precisa manter a política monetária restritiva para conter a inflação.

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