A Votorantim, um dos maiores grupos empresariais do Brasil, alcançou um marco histórico em sua trajetória centenária: nunca esteve com tanto dinheiro em caixa. Essa posição financeira robusta coloca a empresa com uma capacidade inédita para realizar investimentos, seja nas operações atuais ou em novas frentes de negócio. O momento coincide com uma fase de transformação estratégica do portfólio do grupo, que tem redefinido sua atuação nos últimos anos.
Resultados financeiros robustos
Os números do ano passado ilustram a solidez da Votorantim. A companhia registrou um lucro líquido de R$ 4,8 bilhões, com uma receita líquida que atingiu R$ 47,6 bilhões. Outro indicador importante, o Ebitda ajustado, ficou em R$ 11,5 bilhões.
Esses resultados contribuíram para a formação do caixa recorde que o grupo possui atualmente. A combinação de rentabilidade e geração de recursos cria um cenário favorável para os próximos passos da empresa.
Uma nova fase estratégica
Desde a chegada de João Schmidt à liderança do grupo em 2020, a Votorantim passou por uma significativa reestruturação. Nesse período, o conjunto de empresas sob influência da holding investiu mais de R$ 50 bilhões.
Paralelamente, o grupo incorporou cinco novos negócios ao seu ecossistema:
- Motiva (infraestrutura)
- Auren (energia)
- Altre (imobiliário)
- Hypera (farmacêutica)
- 23S Capital (venture capital, em parceria com o Temasek)
Essa expansão diversificada marca uma mudança no perfil de atuação da centenária empresa brasileira.
Reconfiguração do portfólio histórico
A transformação em curso não se limita às novas aquisições. Nos anos anteriores, a Votorantim já havia realizado movimentos importantes de desinvestimento em setores tradicionais.
As principais operações foram:
- Venda do negócio de siderurgia para a ArcelorMittal em 2018
- Incorporação da Fibria pela Suzano em 2019
- Entrada do PSP Investments como sócio na Citrosuco
- Venda da CBA para a dupla Chinalco-Rio Tinto
Essas operações pavimentaram o caminho para a atual diversificação.
Foco em setores estratégicos
João Schmidt, CEO da Votorantim, explicou a lógica por trás da nova configuração. “Nosso conjunto de empresas está balanceado em termos de setores. Estamos em alguns mais resilientes, como infraestrutura e energia, outros mais cíclicos, como os de commodity”, afirmou.
O executivo destacou que o caixa recorde está disponível justamente para seguir nessa jornada de transformação. Segundo ele, o grupo tem interesse específico em setores como infraestrutura regulada e saúde, áreas que oferecem diferentes perfis de risco e retorno.
Infraestrutura regulada
A fonte não detalhou os planos específicos para o setor de infraestrutura regulada. No entanto, o CEO mencionou que este é um dos focos estratégicos para investimentos futuros.
A aposta no setor de saúde
Dentre as novas apostas, a saúde emerge como um tema de especial interesse para a Votorantim. “Estamos bastante animados com o tema que é novo no portfólio, que é a questão da longevidade e a dinâmica do setor de saúde”, disse Schmidt.
A entrada no setor se deu por meio da farmacêutica Hypera. “A Hypera é a única companhia de porte de capital aberto nesse setor, então foi onde havia uma porta de entrada para nós”, justificou o CEO. Essa movimentação representa um passo significativo na diversificação do grupo.
Investimento crescente na Hypera
A Votorantim entrou no capital da Hypera em 2023 e, desde então, tem ampliado sua participação. No início de 2025, o grupo dobrou a posição na farmacêutica para 11%.
Para reforçar sua influência, a Votorantim colocou João Schmidt e Cláudio Ermírio de Moraes no conselho de administração da empresa. O compromisso com o setor ficou ainda mais evidente em 2026, quando o grupo liderou o aumento de capital de R$ 1,5 bilhão na Hypera.
Esse aporte representa o primeiro grande investimento da Votorantim no ano.
Recursos para o futuro
Com o caixa em nível histórico, a Votorantim se posiciona para continuar sua trajetória de transformação. João Schmidt foi categórico ao afirmar: “Esse caixa está disponível para investimentos, de fato, para seguirmos na jornada de transformação do portfólio”.
A combinação de resultados financeiros sólidos, um portfólio reconfigurado e recursos abundantes sugere que o grupo centenário está preparado para os próximos capítulos de sua história. A estratégia parece clara: usar a força financeira atual para construir uma empresa mais diversificada e preparada para os desafios futuros.