João Betenheuzer, CRO e Co-Founder da Celero, observa que a indústria financeira vive um paradoxo. Durante décadas, a falta de informação foi apontada como uma das principais barreiras para o desenvolvimento do crédito, especialmente para pequenas e médias empresas. Agora, o mercado enfrenta um novo desafio: o excesso de dados disponíveis.

Da escassez ao excesso de dados

Durante décadas, a indústria financeira operou sob a convicção de que quanto mais informações sobre um cliente, melhor seria a decisão de crédito. O avanço do Open Finance reforçou essa percepção. A possibilidade de acessar históricos financeiros mais completos criou a expectativa de um mercado mais eficiente. E essa expectativa se confirmou em grande medida. O mercado resolveu o problema da escassez de dados. Porém, a abundância trouxe um novo dilema.

Hoje, a dificuldade não está necessariamente em acessar dados, mas em determinar quais deles contribuem para prever risco, capacidade de pagamento e potencial de crescimento. Em um ambiente cada vez mais digitalizado, volume e relevância não são sinônimos. Nem todos os dados possuem o mesmo valor. Nem todos os indicadores carregam a mesma capacidade preditiva. Nem toda informação disponível melhora a qualidade de uma decisão.

O novo diferencial competitivo

Durante muito tempo, o diferencial competitivo esteve associado à capacidade de obter informações que os concorrentes não possuíam. A democratização do acesso aos dados altera essa lógica. Se todos têm acesso a volumes crescentes de informação, a vantagem deixa de estar na coleta e passa a estar na interpretação. A fonte não detalhou como as empresas devem se adaptar, mas o cenário aponta para a necessidade de filtros mais inteligentes.

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