O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) enviou, entre o fim de junho e início de julho, um extenso questionário para entender o impacto da aquisição da Medley pela EMS no setor de saúde. A consulta gerou respostas de diversas farmacêuticas, que expuseram suas visões sobre o negócio anunciado em março deste ano por US$ 600 milhões.
Críticas à compra
A Cimed, que participou na fase inicial do processo de aquisição da unidade de genéricos da Sanofi no Brasil, detalhou ao Cade as razões para um posicionamento crítico e contrário à possível aprovação da compra. Segundo a farmacêutica de Adibe, a aquisição amplia o poder de escala do comprador, conferindo-lhe maior poder de barganha perante distribuidores e o varejo farmacêutico.
Manifestações de outras concorrentes
Outras empresas também se manifestaram:
- União Química: informou que, com a operação, a EMS “terá uma grande fatia do mercado, podendo ter forte relevância na formação de preço de importantes moléculas”.
- Althaia: afirmou ao Cade que a compra “aumenta a concentração no mercado de genéricos”.
- Sun Pharma (indiana): disse que a operação causa “concentração no segmento de genéricos”.
Eurofarma, Hypera e Torrent constam como “acesso restrito”, sem detalhamento público de suas manifestações. A Fundação para o Remédio Popular (Furp) também se pronunciou a pedido do Cade, mas a fonte não detalhou o teor de sua posição.
Posição da Pfizer e defesa da EMS
Em contraste, a Pfizer afirmou que a operação impactará especialmente o mercado de medicamentos genéricos, com potencial de benefícios aos consumidores. A EMS, por sua vez, já havia revelado que manteria todo o quadro de funcionários da Medley.
Em junho, o NeoFeed mostrou, com exclusividade, os argumentos da EMS apresentados ao Cade para justificar a aprovação da compra. Em um documento de 126 páginas, a empresa confirma que haverá sobreposição de cerca de 40 classes terapêuticas. Dos 27 mercados no canal varejo e 14 no canal institucional com sobreposição apontadas pela EMS ao Cade, 19 deles ficam abaixo de 40% de concentração.
Procurada, a EMS informou que “acompanha o andamento regular do processo de análise da operação pelo Cade, no âmbito do rito regulatório aplicável”.
Impacto potencial do negócio
No ano passado, a Medley registrou receita de R$ 1,3 bilhão, com Ebitda perto de R$ 200 milhões. Com a compra, a EMS passaria a ter cerca de 30% do mercado total de genéricos no Brasil, e a receita anual do conglomerado chegaria a R$ 12 bilhões.
As manifestações ao Cade refletem a preocupação do setor com a concentração, enquanto a EMS busca demonstrar que a operação não compromete a concorrência. O órgão antitruste ainda não divulgou sua decisão final.
