Mercadante quer BNDES a 2% do PIB e pede pacto
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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta quinta-feira que a instituição alcance uma dimensão equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos, atuando em parceria com o mercado privado. A declaração foi feita durante o painel “Investimento e Crescimento: Papel do Financiamento Público e Privado”, do Macro Day, evento realizado pelo BTG Pactual. Mercadante descartou, porém, um retorno ao tamanho registrado no passado, quando o BNDES chegou a representar entre 4% e 5% do PIB.

Banco deve complementar o setor privado

O dirigente argumentou que a instituição deve complementar o setor privado e assumir riscos em áreas nas quais o financiamento de longo prazo é mais difícil, como inovação, transição energética e reconstrução após desastres climáticos. Segundo ele, o BNDES não deve competir com os bancos privados, mas sim atuar onde o mercado tem menos apetite. A fala reforça a visão de que o banco público tem papel estratégico no desenvolvimento.

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Juros altos são obstáculo estrutural

Apesar do tom otimista, Mercadante afirmou que o país ainda precisa solucionar um obstáculo estrutural: a taxa de juros. Ele lembrou que o Plano Real controlou a hiperinflação e que, posteriormente, o Brasil reduziu sua vulnerabilidade externa, acumulou reservas internacionais e ampliou o superávit comercial. “Antes, a inflação comia a renda. Hoje, são os juros que estão comendo a renda das famílias e das empresas”, acrescentou. O presidente resumiu seu otimismo com uma frase: “É fácil resolver o Brasil. É só abaixar os juros”.

Risco de contágio ao sistema bancário

O dirigente alertou que o custo elevado do crédito contribuiu para o aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais. Ele mencionou a Braskem e Raízen como exemplo de empresas para a qual o BNDES procura, de forma reservada, construir soluções. “O sistema bancário é extremamente sólido, mas, se os juros permanecerem nesse patamar, isso também vai chegar ao balanço dos bancos. E não há por que isso acontecer. Temos um sistema extremamente sólido”, afirmou.

Indução ao crédito de R$ 366 bilhões

Mercadante afirmou que o BNDES alcançou R$ 366 bilhões em indução ao crédito em 2025, volume equivalente a cerca de R$ 1 bilhão por dia. Nos primeiros seis meses de 2026, foram R$ 198 bilhões. “Em 2025, nós chegamos a R$ 366 bilhões de indução ao crédito. É R$ 1 bilhão por dia”, disse. Segundo ele, as consultas ao banco cresceram aproximadamente 40% durante sua gestão, enquanto as aprovações avançaram 70%, as contratações aumentaram 75% e os desembolsos subiram 35%.

Resultados recordes e inadimplência mínima

O presidente também destacou que o BNDES obteve o segundo melhor resultado de sua história e registrou lucro recorrente recorde. A inadimplência, acrescentou, está em 0,05%, índice que classificou como o menor do sistema financeiro. “É o menor nível de inadimplência do sistema financeiro”, afirmou. Os números reforçam a solidez da instituição em um cenário de juros elevados.

Bancos públicos não são jabuticaba

O dirigente também rejeitou a percepção de que bancos públicos de desenvolvimento seriam uma peculiaridade brasileira. Segundo ele, existem 555 instituições desse tipo em 155 países, com aproximadamente US$ 23 trilhões em ativos. “Banco público de desenvolvimento não é uma jabuticaba brasileira”, declarou. A comparação busca desmistificar o papel do BNDES no sistema financeiro global.

Pacto para falar bem do Brasil

Mercadante também pediu aos empresários presentes no evento que ajudem a promover o Brasil entre os investidores estrangeiros. “Precisamos fazer um pacto aqui neste evento para falar bem do Brasil. Vamos mostrar nossa agenda de futuro”, afirmou. Na avaliação do presidente do BNDES, grandes fundos internacionais, incluindo investidores do Oriente Médio, passaram a enxergar o país como um destino relativamente seguro em meio às tensões geopolíticas.

Vantagens brasileiras e atração de capital

Entre as vantagens brasileiras, ele citou segurança alimentar, segurança energética, riqueza mineral, estabilidade institucional, democracia e a ausência de conflitos com países vizinhos há cerca de 150 anos. “O mundo está olhando para o Brasil. Os grandes fundos estão batendo à nossa porta. Estamos sendo procurados para fazermos fundos binacionais. É investidor de toda parte chegando”, disse. O discurso busca reforçar a imagem do país como porto seguro para investimentos.

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