A Liberty Media, controladora da Fórmula 1, anunciou nesta quinta-feira (5) uma operação que encerra a estrutura de ações com poder de voto diferenciado de seu fundador, John Malone. A medida, solicitada pelo próprio investidor de 85 anos, visa simplificar a estrutura de capital da empresa e facilitar o planejamento da sucessão patrimonial.
Com a mudança, Malone deixará de concentrar os votos que detinha por meio das ações da classe B. Ele também deixará o cargo de presidente emérito do conselho, mas continuará ligado à companhia como consultor sênior.
Entenda a estrutura de ações da Liberty
A Liberty Media possuía três tipos de ações com direitos distintos. As ações da classe A davam direito a um voto cada; as da classe B, a dez votos; e as da classe C não tinham direito a voto. Essa arquitetura permitia que Malone mantivesse controle significativo sobre as decisões da empresa, mesmo sem deter a maioria do capital econômico.
Pelo novo acordo, a Liberty vai recomprar todas as ações da classe B de Malone e de fundos e entidades ligados a ele. Em troca, cada ação da classe B será convertida em 0,26 ação da classe A e 2,34 ações da classe C. Com isso, nenhum acionista da empresa terá mais de 9% do poder de voto após a operação.
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Propostas não solicitadas motivaram decisão
Segundo a companhia, a decisão também veio depois que a empresa recebeu propostas não solicitadas de terceiros interessados em comprar as ações da classe B. Um comitê independente foi criado para avaliar a operação. A fonte não detalhou quem foram os proponentes nem os valores envolvidos.
Em comunicado, Malone afirmou: “Continuo tendo grande confiança na equipe de gestão da Liberty Media e dou total apoio à sua estratégia”. Segundo ele, a operação permite aumentar sua participação econômica na companhia e distribuir o poder de voto de forma mais ampla entre os demais acionistas.
Impacto no mercado e possível venda
A mudança também pode tornar a Liberty Media mais atraente para uma eventual venda. As ações da empresa subiram cerca de 7,5% nas negociações antes da abertura do mercado em Nova York nesta quinta-feira. A simplificação da estrutura de capital costuma ser bem recebida por investidores, pois reduz a complexidade e aumenta a transparência.
A operação ainda depende de aprovações regulatórias e de acionistas, mas representa um passo importante na reorganização do conglomerado de mídia e entretenimento.
Trajetória de Malone e desinvestimentos recentes
Ao longo das últimas décadas, o bilionário construiu participações em empresas de diferentes segmentos. Mais recentemente, participou da incorporação da Liberty Broadband pela Charter Communications e apoiou a venda da Warner Bros. Discovery para a Skydance. Ele também desfez estruturas de ações vinculadas ao desempenho de empresas como Sirius XM e Live Nation e separou o time de beisebol Atlanta Braves da Liberty Media.
Malone criou a Liberty Media em 1991, a partir de uma separação de sua antiga empresa, a Tele-Communications Inc. Em janeiro deste ano, deixou a presidência do conselho e passou a ocupar o cargo de presidente emérito.
Fortuna estimada em US$ 11,3 bilhões
Segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, sua fortuna é estimada em US$ 11,3 bilhões. Menos de US$ 500 milhões desse patrimônio estão ligados à Liberty Media. A maior parte está concentrada em imóveis e recursos acumulados com a venda de participações em empresas de mídia e telecomunicações.
A recompra das ações classe B encerra um capítulo na história da Liberty Media, que agora caminha para uma estrutura de capital mais simples e com poder de voto mais distribuído.
Fonte
- investnews.com.br
- Liberty Media (www.libertymedia.com)
