Brasileira cria sorvete vegano de sucesso em Paris
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Paris – O que a arte contemporânea tem a ver com sorvete? Para a mineira Roberta Costa, muita coisa. Foi da aproximação entre dois universos aparentemente distantes que nasceu a ideia de abrir uma sorveteria que se tornaria um dos hotspots do verão parisiense.

Como transformar a paixão pela arte em um negócio de sucesso com impacto ambiental reduzido? Para a mineira Roberta Costa, a resposta está no sorvete. Aos 44 anos, depois de duas décadas em Paris, ela deixou a arquitetura e a restauração para resgatar uma memória da infância, quando ajudava na sorveteria da tia, em Minas Gerais.

Da arquitetura à sorveteria

Assim, com a memória afetiva da infância e a experiência em terras francesas, em 12 de abril, Roberta inaugurou a La Crèma aos pés do Jardim de Luxemburgo, defronte do Panteão, no coração do Quartier Latin. Em pouco tempo, a sorveteria virou uma sensação. Filas de até uma hora e meia ao longo do dia, mesmo com duas concorrentes bem em frente à loja da brasileira.

Nos fins de semana, o movimento chegou a 2 mil clientes por dia. A demanda foi tanta que, em algumas ocasiões, Roberta precisou fechar as portas antes do horário previsto, porque o sorvete havia acabado. “Eu não posso ir mais rápido que a turbina”, diz, em conversa com o NeoFeed. “Eu sou humana.”

Resultado financeiro em tempo recorde

Em apenas um mês e meio, a La Crèma alcançou o resultado financeiro previsto para um ano inteiro. Na transição para a gastronomia, Roberta manteve um princípio que sempre orientou sua trajetória profissional e sua vida pessoal: a preocupação com o planeta. “Queria falar com mais pessoas sobre ecologia, mas usando outra linguagem, que também envolvesse o trabalho manual, uma habilidade que sempre tive”, conta. A ideia era fazer um gelato com o menor impacto ambiental possível.

Formação e primeiros testes

Para isso, Roberta começou com uma formação de três semanas na Carpigiani Gelato University, em Bolonha. De volta à França, passou a testar sua ideia em 2024, participando de eventos com um carrinho de sorvete movido por bicicleta elétrica. No mesmo ano, uma iniciativa da prefeitura de Paris lhe deu a oportunidade de ocupar, por alguns meses, um contêiner às margens do Sena. Seu primeiro teste de mercado deu resultado.

Para abrir uma loja física, porém, a mineira precisou cumprir mais uma etapa: uma formação de oito meses, exigida na França para quem deseja exercer determinadas atividades manuais. Depois de meses procurando um imóvel que reunisse boa localização, preço acessível e espaço suficiente, encontrou um pequeno ponto comercial no número 19 da rue Soufflot.

Sustentabilidade sem alarde

Ali, não entra nada de origem animal. Mas o cuidado de Roberta com o meio ambiente não é anunciado em placas ou selos. Muitos clientes sequer imaginam que estão tomando um sorvete vegano. A proposta é mostrar que sabor e sustentabilidade podem andar juntos.

Toda a produção é feita no local e acompanha a sazonalidade dos ingredientes. Os sorbets têm 75% de frutas na composição — de preferência aquelas que, embora próprias para o consumo, acabam descartadas por sua aparência. O sorvete de pistache, um dos mais vendidos, leva 22% da semente triturada.

Ingredientes locais e redução de carbono

Para reduzir as distâncias percorridas e, consequentemente, a pegada de carbono da sorveteria, 90% das matérias-primas vêm da França. Uma das exceções é a manga, proveniente da Espanha. No caso de produtos importados, como chocolate, café e baunilha, a regra é escolher fornecedores com certificações de sustentabilidade. Para evitar o plástico, as colheres são feitas de biscoito.

Planos de expansão e cautela

Com a repercussão, a La Crèma já despertou o interesse de grupos empresariais que querem levar a marca a outros países, inclusive ao Brasil. Roberta, porém, prefere avançar com cautela e se prepara para o próximo desafio: manter o negócio aquecido durante o inverno parisiense.

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