Na última quarta-feira (5), a C&A reuniu analistas e investidores para o C&A Day, evento em que apresentou seu novo plano de negócios para os próximos quatro anos, até 2030. Horas mais cedo, no mesmo dia, a companhia promoveu um encontro de gerações com “rostos” que marcaram campanhas da marca no país ao longo de décadas, do bailarino Sebastian nos tempos do “Use e Abuse” a modelos como Isabeli Fontana e Carol Ribeiro. O momento, segundo a empresa, diz muito sobre a fase atual da varejista.
Os números do terceiro trimestre, divulgados na noite de quarta-feira, corroboraram a narrativa das lideranças de que os negócios podem continuar a crescer apesar do cenário macro adverso. E mostraram que é um negócio em diferentes velocidades, quase como se fossem diferentes C&As dentro da mesma companhia. No fim do dia e das contas, é um sacrifício que acaba compensado.
Plano Full Power prevê renovação e expansão
O plano Full Power prevê que algo entre 100 e 120 lojas sejam renovadas até 2030 no conceito denominado Energia, enquanto de 60 a 80 novas unidades sejam abertas no mesmo período. A empresa chegou a 346 lojas no país ao fim de setembro. A margem bruta, que mede a rentabilidade de uma operação ao calcular o que sobra do dinheiro de uma venda quando se descontam os custos envolvidos, da produção da peça à loja, subiu pelo 21º trimestre consecutivo (ou seja, há mais de cinco anos), para 56%.
Esse avanço reflete, em parte, o uso crescente de tecnologia em processos fundamentais como a definição de preços das coleções e do sortimento de cada loja.
Isso permite que a C&A consiga acertar o preço de venda que dispense a necessidade de desconto para que uma roupa seja comprada e para que o consumidor encontre peças que de fato lhe interessem. A empresa adota o modelo de “teste e escala”, em que mudanças são adotadas em um número selecionado e limitado de lojas para entender como o consumidor reage; e, caso haja aceitação, então a novidade na escolha ou na apresentação de uma coleção é levada para a rede.
Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br
Tecnologia como pilar do crescimento
Não por acaso, a tecnologia é um dos pilares do plano de negócios que vai até 2030: ela vai ajudar a ampliar a relevância do canal digital, que pode chegar a responder por 15% das vendas de vestuário. Essa fatia chegou a 8% das vendas de mercadorias no terceiro trimestre, depois de um crescimento de 27,6% na comparação anual.
O CEO da C&A, Paulo Correa, diz que o uso consciente de IA é uma “pedra fundamental” da forma como a varejista tem atuado ao longo dos últimos anos, no sentido de que a adoção da tecnologia não é um fim em si mesmo e precisa gerar resultado na evolução da experiência dos clientes.
“Isso tem ajudado no resultado, como a melhora seguida da margem bruta, porque é como se o consumidor falasse que aceita te pagar um prêmio a mais em troca da evolução da sua experiência de compra”, afirmou. O uso de IA para precificação já está disseminado em 100% da rede de lojas da C&A; para definição dos sortimentos, ainda não, o que é visto como oportunidade de aumentar ainda mais a eficiência (os números exatos de adoção dessa solução não são divulgados por razões de estratégia).
Escala 5×2 e gestão de pessoas
O CEO da C&A contou que a rede varejista adotou em 60 lojas, em fase de testes, a nova escala 5×2, que exige dois dias de descanso a cada cinco de trabalho. O projeto de lei foi aprovado pelo Congresso em outubro e a medida entra em vigor a partir de dezembro de forma gradual.
Os resultados iniciais do novo formato confirmam um esperado aumento de custos que ainda não se materializou de forma relevante, nas palavras do executivo, nas despesas gerais da empresa, mas, por outro lado, um efeito positivo com a redução de faltas e atrasos, o absenteísmo.
Nesse contexto, a empresa comprou uma ferramenta de planejamento com algoritmos para conseguir fazer um uso mais racional e produtivo dos trabalhadores levando em conta suas respectivas tarefas, apontando o número exato de pessoas necessárias a cada turno. É uma abordagem, segundo o CEO da C&A, que dialoga com o modelo de uso massivo de testes para entender não só as preferências do consumidor mas o que funciona melhor para a operação. E que, até o momento, tem permitido que a companhia continue a crescer e a lucrar mais.
Fonte
- investnews.com.br
- diferentes C&As (www.bloomberglinea.com.br)
