A curva de juros futuros avançou em todos os vencimentos nesta sexta-feira (11), de olho nos desdobramentos do cenário eleitoral doméstico. Até o meio da tarde, as taxas recuavam em todos os vértices, sob influência do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, que veio com deflação e moderação em serviços e núcleos. O restante da sessão, porém, foi marcado por redução de posições de risco, diante da cautela sobre notícias que possam enfraquecer a candidatura da oposição nas eleições presidenciais.
Curva inverte com cautela eleitoral
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,586%, de 13,585% do fechamento anterior, perto da estabilidade. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 13,835%, ante 13,831% do fechamento anterior, com alta de 0,4 ponto-base. A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu 4 pontos-base e terminou o dia a 14,160%, ante 14,120% do fechamento da última sexta-feira (10).
O movimento refletiu a mudança de humor dos investidores ao longo do dia. Pela manhã, o IPCA favorável sustentava apostas em cortes de juros, mas a incerteza política ganhou força à tarde. A fonte não detalhou quais notícias específicas motivaram a cautela, mas o mercado passou a evitar posições arriscadas diante da possibilidade de um cenário eleitoral mais incerto.
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IPCA deflacionário perde força
Antes da crise da Corte se impor sobre os negócios, a curva de juros cedia com a publicação do IPCA de agosto. O dado mostrou recuo de 0,32% da inflação, a maior queda desde igual mês de 2022 (-0,36%), e também mais intensa do que a mediana de -0,29% do Projeções Broadcast. Embora a variação negativa tenha sido puxada principalmente pelo bônus de Itaipu e por alimentos, economistas destacaram a moderação de núcleos e serviços como bons sinais.
A deflação de agosto trouxe alívio temporário, mas não foi suficiente para sustentar o otimismo. A leitura de núcleos mais comportados indicava menor pressão inflacionária subjacente, o que normalmente favoreceria apostas em juros menores. Contudo, o cenário político doméstico se sobrepôs aos fundamentos econômicos, levando a uma reprecificação de riscos.
Exterior pressiona com Treasuries em alta
Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,630%, ante 4,550% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília). Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,944%, de 4,971% da última sexta-feira, no mesmo horário.
O avanço dos rendimentos americanos refletiu a divulgação do CPI de agosto, que subiu 0,4% ante julho e 3,4% na comparação anual, em linha com as expectativas. O número reforçou apostas de alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na próxima semana, o que tende a pressionar as taxas globais e, por consequência, os juros futuros brasileiros.
Eleitoral segue no radar
Para Fonseca, porém, a eleição ainda está em aberto. Ele menciona que, na plataforma de apostas Polymarket, o candidato da oposição ainda figura com 52% de chance de vitória, dez pontos porcentuais à frente de Lula. Apesar da vantagem, a margem não é considerada segura, e qualquer notícia que altere o equilíbrio pode provocar volatilidade nos mercados.
A cautela com o quadro eleitoral deve continuar pautando os negócios nas próximas sessões. Investidores monitoram pesquisas e eventos políticos em busca de sinais sobre o desfecho da disputa. A fonte não detalhou quais eventos específicos podem influenciar as taxas, mas a sensibilidade do mercado a notícias eleitorais ficou evidente nesta sexta-feira.
Fonte
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