Inflação ainda preocupa, apesar de leve alívio mensal
O IPCA-15 desacelerou para 0,41% em junho, ante 0,62% em maio. No acumulado em 12 meses, porém, o indicador subiu a 4,8%, contra 4,64% no período anterior. Apesar da melhora no mês, a trajetória da inflação segue no radar do Banco Central.
Na última reunião do Copom, a autoridade monetária reconheceu a tendência altista, mas optou por cortar a Selic — de 15% para 14,25% ao ano. Com isso, o juro real gira próximo de 10%, e a meta de inflação de 3% foi postergada para um prazo mais longo.
Pré-candidatos mantêm silêncio sobre propostas econômicas
A três meses da eleição, pouco se sabe sobre as propostas para a área econômica dos principais pré-candidatos à Presidência: Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O silêncio contrasta com a urgência dos desafios fiscais que o próximo governo terá de enfrentar.
Na terça-feira, 30 de junho, o Banco Central divulgará o balanço das contas públicas de maio. O relatório deve reforçar a necessidade de um ajuste estrutural nas finanças do país.
Ajuste fiscal estimado em 4% do PIB
Especialistas preveem que a futura equipe econômica assumirá — ou será forçada a assumir — um compromisso com o ajuste fiscal. Para isso, o Brasil precisará interromper o padrão de buscar equilíbrio apenas via aumento de arrecadação, sem enfrentar a dinâmica estrutural dos gastos.
Mantidas as regras atuais, o ajuste necessário para estabilizar a dívida pública é de cerca de 4 pontos percentuais do PIB.
Reformas profundas no orçamento são urgentes
O economista Mesquita endossou o relatório detalhado sobre propostas fiscais para 2027, assinado pelos especialistas Pedro Schneider e Thales Guimarães. No documento, eles afirmam: “Um ajuste efetivo exigirá uma estratégia crível e reformas profundas no orçamento e nas regras fiscais”.
Uma regra de gastos vinculada à trajetória da dívida — que ao menos temporariamente retomasse o crescimento real zero das despesas — poderia aumentar a probabilidade de um ajuste fiscal bem-sucedido.
