A indústria de fundos brasileira registrou captação líquida de R$ 184,7 bilhões no primeiro semestre, com forte protagonismo dos ETFs de renda fixa, que acumularam R$ 27,1 bilhões em ingressos líquidos. O número reflete a mudança de comportamento do investidor, que tem migrado de produtos tradicionais de gestão ativa para fundos de índice.
ETFs de renda fixa dominam captação
Em junho, os ETFs de renda fixa responderam por 88% da captação da classe, totalizando R$ 5,2 bilhões. Esse foi o 16º mês consecutivo de ingressos líquidos positivos para essa categoria.
No acumulado de janeiro a junho, os ETFs como um todo somaram R$ 32,5 bilhões em captação líquida. Desse total, os de renda fixa contribuíram com R$ 27,1 bilhões, enquanto os de renda variável captaram R$ 5,3 bilhões. Desde dezembro, os fundos de índice ligados à renda fixa superam com folga a captação dos ETFs de ações.
Vantagem tributária impulsiona procura
Um dos fatores que explicam o apetite por ETFs de renda fixa é a isenção do chamado “come-cotas”, que incide semestralmente sobre fundos tradicionais. Essa característica torna os ETFs mais atrativos para investidores que buscam eficiência fiscal.
Além disso, a oferta de produtos cresceu significativamente: o número de ETFs disponíveis saltou de 132 fundos em junho de 2025 para 202 em junho deste ano, alta de 53%. O número de contas de ETFs também avançou, passando de 1,14 milhão em junho do ano passado para 1,65 milhão em maio.
Renda fixa tradicional também atrai
Os fundos de renda fixa como um todo captaram R$ 108,4 bilhões entre janeiro e junho, representando 59% de todo o ingresso líquido da indústria. Dentro desse segmento:
- Fundos de baixa duração com crédito livre: R$ 70,3 bilhões
- Soberanos de baixa duração: R$ 26 bilhões
A rentabilidade dos fundos de renda fixa duração baixa crédito livre foi de 6,8% no semestre.
Outros segmentos em destaque
Além dos ETFs e fundos de renda fixa, outras classes também registraram captação relevante:
- Fundos de Investimento em Participações (FIPs): R$ 32,1 bilhões
- Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs): R$ 30,6 bilhões
- Fiagros: R$ 5,1 bilhões
O patrimônio líquido total da indústria chegou a R$ 11,1 trilhões, alta de 10% em 12 meses.
A preferência do investidor brasileiro por produtos tradicionais como fundos de gestão ativa passa por um momento de transição, e os ETFs de renda fixa têm se consolidado como uma alternativa cada vez mais procurada.
Fonte
- investnews.com.br
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