BlackRock aponta razões para investir no Brasil na era da IA
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A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, com US$ 14 trilhões sob sua guarda, aponta que o Brasil oferece oportunidades de investimento em um cenário global cada vez mais dominado pela inteligência artificial. Para a gestora, a forma tradicional de montar carteiras – separando os investimentos por classes, como ações, renda fixa e investimentos no exterior – já não faz mais sentido. A visão é que, com a IA atravessando mercados, setores e geografias, o investidor pode achar que está diversificado quando, na prática, compra várias versões da mesma tese.

Concentração em IA nos mercados

O S&P 500 nunca esteve tão concentrado em tecnologia e IA. Ações relacionadas aos temas de IA representam agora mais da metade do índice (51,5%), divididas entre empresas de semicondutores (19,2%), hyperscalers (16,1%), hardware (10,7%), software (7,5%) e energia (2,7%), segundo dados do JPMorgan. Essa concentração eleva o risco de portfólios que não consideram a exposição temática.

Paralelamente, o MSCI Emerging Markets Index tem mais de 80% da carteira atrelada a países asiáticos, como Taiwan, Coreia do Sul e China. O Brasil representa apenas 3,8% desse índice, o que, para a BlackRock, indica baixa exposição a uma região com potencial de diversificação.

Renda fixa perde função clássica

Para a BlackRock, a renda fixa tradicional dos mercados desenvolvidos perdeu parte de sua função clássica de diversificação e gestão de risco. Inflação mais persistente, juros estruturalmente mais altos e aumento do gasto público nas economias avançadas enfraqueceram o mecanismo de diversificação. A gestora passou a comparar oportunidades pelo retorno por unidade de risco: quanto o investidor recebe em relação à volatilidade assumida.

Segundo Christensen, da BlackRock, a dívida emergente aparece “muito bem” nessa métrica, especialmente em países como Brasil e México, quando comparada a títulos de mercados desenvolvidos e ao crédito corporativo com grau de investimento. A Selic está em 14,25% ao ano, e o Brasil segue entre os mercados de dívida emergente mais bem pagos do mundo.

Minerais críticos e geopolítica

No caso dos minerais críticos, o desafio brasileiro é transformar reserva em produção. Na geopolítica, o Brasil aparece como fornecedor relevante de alimentos, energia e insumos em um momento em que empresas e governos buscam reduzir dependências concentradas. Esses fatores reforçam o apelo do país como fonte de exposição diferente.

Brasil como diversificação real

Segundo a BlackRock, o Brasil não aparece como uma aposta substituta à IA, mas como uma fonte de exposição diferente em um mundo em que muitas carteiras passaram a girar em torno da mesma narrativa. A gestora está neutra em emergentes como classe ampla, mas continua a favorecer a região dentro desse universo. Brasil, México e outros países latino-americanos representam menos de 10% dos principais índices acionários de emergentes, segundo Christensen.

Christensen destacou que o capex das empresas ligadas à IA já aparece no PIB americano, mas o ganho de produtividade ainda não se confirmou nos números. O Brasil entra no radar não como uma aposta imune ao ciclo global, mas por oferecer fonte de diversificação real dentro desse cenário.

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