As taxas de juros futuros fecharam em alta nesta quarta-feira (8), refletindo o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O presidente Donald Trump declarou que o memorando de entendimento com Teerã “acabou”, encerrando o cessar-fogo provisório de 60 dias mediado pelo Paquistão. Apesar do movimento de alta nos prêmios de risco, o mercado financeiro ainda precifica majoritariamente um corte de 25 pontos-base na Selic na próxima reunião do Copom, em agosto.
Taxas futuras disparam com tensão geopolítica
Os contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) registraram avanços em todos os vencimentos negociados. A taxa para janeiro de 2027 fechou com alta de 4 pontos-base, a 14,055% ante 14,015% do fechamento anterior. Já o DI para janeiro de 2029 subiu 10 pontos-base, encerrando a 14,380% contra 14,275% da véspera. O contrato mais longo, para janeiro de 2036, avançou 11 pontos-base, para 14,440% ante 14,330% da terça-feira (7).
O movimento foi impulsionado pelo aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries), que também subiram com a escalada geopolítica. Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do Treasury de dois anos operava a 4,22%, ante 4,162% do ajuste anterior. O retorno do título de dez anos subia para 4,481%, de 4,529% no fechamento anterior.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.moneytimes.com.br
Fim do acordo e novas ameaças
O presidente Donald Trump afirmou que o memorando de entendimento assinado com o Irã para encerrar o conflito “acabou”, acrescentando que não deseja manter negociações com Teerã. O acordo provisório, que previa um período de 60 dias para negociações de um acordo permanente, foi mediado pelo Paquistão. As conversas indiretas realizadas no Catar terminaram sem qualquer sinal de avanço, e as Forças Armadas dos Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra o Irã na terça-feira.
Na véspera das declarações de Trump, os EUA revogaram a licença que permitia ao Irã vender petróleo, após três navios-tanque terem sido atingidos por projéteis no Estreito de Ormuz. Em resposta, o país persa afirmou que fechará o Estreito de Ormuz e atacará “duas vezes mais” alvos inimigos caso os EUA façam novos ataques, segundo a PressTV.
Petróleo dispara e inflação preocupa
A escalada das tensões geopolíticas e a disparada dos preços do petróleo reacenderam os temores de inflação e, consequentemente, de juros globais elevados por mais tempo – fazendo os investidores embutir mais prêmio na curva de juros futuros. O contrato mais líquido do Brent encerrou as negociações com alta de 5,20%, a US$ 78,02 na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no maior patamar desde 22 de junho.
O aumento do petróleo pressiona os custos de produção e transporte, alimentando expectativas inflacionárias. Esse cenário tende a elevar as taxas de juros de longo prazo, como observado nos DIs.
Mercado ainda aposta em corte na Selic
Apesar do avanço dos juros futuros, os investidores continuam a precificar um corte de 25 pontos-base na Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto. Na última atualização, na terça-feira, a ferramenta Opções do Copom apontava 78% de probabilidade de redução da Selic de 14,25% para 14% ao ano. A chance de manutenção da Selic é de 20,50%. Duas semanas atrás, em 22 de junho, os percentuais eram de 29% para corte de 25 pontos-base e 67% para manutenção, indicando uma forte mudança nas expectativas do mercado.
O mercado parece considerar que o Copom pode priorizar o estímulo à atividade econômica, mesmo diante de riscos inflacionários externos. A decisão final dependerá dos dados econômicos e da evolução do cenário geopolítico até a reunião de agosto.
Fonte
- www.moneytimes.com.br
- Siga no Youtube (www.youtube.com)
- Receba as recomendações de investimento mais atualizadas diretamente em seu What (emprc.us)
- A ação que pode entregar DIVIDENDOS de até 13% (www.youtube.com)
- Nem bancos, nem elétricas: rainha dos dividendos é a favorita de 14 analistas pa (moneytimes.com.br)
- Wall Street fecha em queda com liquidação de ações de chips e tensão no Oriente (moneytimes.com.br)
