Volkswagen anuncia corte de 100 mil empregos e fechamento de fábricas
A montadora alemã Volkswagen planeja demitir até 100 mil trabalhadores e fechar quatro fábricas na Alemanha, localizadas em Hanover, Zwickau, Emden e Neckarsulm. Inicialmente, a empresa havia previsto cortar 50 mil empregos até 2030, com redução de 500 mil veículos na capacidade de produção.
O CEO Oliver Blume busca simplificar o grupo e levantar capital, vendendo ativos como a unidade de motores marítimos Everllence. A Volkswagen planeja reduzir seus investimentos em 15% nos próximos cinco anos, totalizando cerca de US$ 148 bilhões.
Concorrência chinesa pressiona montadora
A montadora enfrenta desafios com tarifas, a transição para veículos elétricos e a crescente concorrência chinesa, que já representa quase 10% do mercado europeu. Nos primeiros cinco meses do ano, quase um em cada dez veículos novos vendidos na Europa foi de montadoras chinesas.
De acordo com a consultoria AlixPartners, a participação de mercado das montadoras não chinesas caiu para 32% em 2025, ante 57% em 2020. A Volkswagen foi ultrapassada pela BYD em 2024, caindo para o segundo lugar e depois para o terceiro lugar em 2025.
Sindicatos prometem resistir
O conselho de fábrica e o sindicato IG Metall prometem resistir a essas medidas. As ações da Volkswagen caíram 1,34% na Bolsa de Frankfurt. A companhia já havia apresentado um plano para cortar 50 mil postos de trabalho na Alemanha até o fim de 2030, com redução de capacidade de produção de 500 mil automóveis.
As medidas de reestruturação surgem um dia após o anúncio da venda de 51% da unidade de motores marítimos Everllence à empresa americana de private equity Bain, por US$ 8,4 bilhões. Com mais de 16 mil funcionários, a Everllence fabrica grandes motores para navios e usinas de energia, além de bombas de calor de grande escala.
CEO busca simplificar o grupo
O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, tem procurado simplificar o extenso grupo, que detém marcas como Porsche, Audi e Lamborghini, para se concentrar no negócio automotivo principal. “Nunca a situação de risco foi tão alta, e continua a aumentar”, disse Blume na assembleia geral anual da companhia.
Blume enfrenta pressão para reerguer a Volkswagen diante de tarifas, transição turbulenta para veículos elétricos e concorrência das montadoras chinesas. A Volks deve apresentar as medidas ao conselho da empresa no dia 9 de julho.
Força de trabalho global
No balanço financeiro de 2025, a força de trabalho global do grupo era de 667.164 pessoas, com quase 43% de funcionários na Alemanha, correspondendo a quase 290 mil trabalhadores. A Porsche SE, veículo de investimento das famílias Porsche e Piech e maior acionista da Volkswagen, não quis comentar.