Neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para o seu quarto mandato na Presidência da República, em virada inédita. A disputa acirrada com o senador Flávio Bolsonaro ganhou destaque nos principais jornais da Europa e Ásia. A imprensa internacional analisou o resultado sob diferentes perspectivas, desde o impacto doméstico até as implicações geopolíticas.
Le Monde chama vitória de ‘milagre’
O periódico francês Le Monde classificou a vitória de Lula como “nada menos do que um milagre, considerando o quanto as pesquisas apontavam o contrário”. O diário ressaltou a intensa mobilização nas ruas e nas redes sociais como o principal motor da virada. Além do engajamento popular, o Le Monde enfatizou a rejeição à volta da extrema direita ao Palácio do Planalto. A análise francesa destaca, portanto, a força da participação cidadã no processo eleitoral.
The Guardian vê derrota para Trump
Para o britânico The Guardian, o resultado representou uma derrota direta para a Casa Branca, definindo Trump como “o aliado internacional mais importante do clã Bolsonaro”. O jornal citou que “o presidente dos EUA esperava que Bolsonaro se tornasse o mais recente de uma série de líderes pró-Trump a assumir o poder na América Latina, incluindo Abelardo de la Espriella na Colômbia, Daniel Noboa no Equador, José Antonio Kast no Chile e Javier Milei na Argentina”. A publicação britânica contextualiza a eleição brasileira dentro de um cenário regional mais amplo.
BBC aponta Congresso conservador e eleitorado dividido
A britânica BBC ponderou que, superada a comemoração, o presidente reeleito enfrentará um Congresso conservador e um eleitorado dividido. A rede britânica sublinhou ainda que a reeleição de Lula destoa do avanço de governos conservadores no continente. Atualmente, entre os 20 países da América Latina, apenas México, Guatemala, Nicarágua, Cuba, Guiana e Suriname possuem gestões alinhadas à esquerda.
Segundo a emissora, manter a região sob a órbita de governos alinhados é prioridade para a Casa Branca, que busca assegurar acordos de segurança e conter o avanço econômico de Pequim no Hemisfério Ocidental.
Brasil é visto como amigável à China
A BBC destacou que “o Brasil, rico em petróleo e detentor da segunda maior reserva mundial de minerais de terras raras, é o único grande país da América do Sul que não é governado por um líder de direita, sendo Lula amplamente visto como amigável à China”. Essa característica coloca o país em uma posição estratégica no tabuleiro geopolítico. A emissora sugere que a postura brasileira pode influenciar as relações entre as grandes potências na região.
Reuters foca em gestão fiscal e resistência
Na agência internacional de notícias Reuters, análise assinada pelo jornalista Brendan O’Boyle indica que a gestão fiscal e a resistência do Legislativo serão os maiores testes do novo mandato. O artigo conclui que o petista também enfrentará barreiras para aprovar indicações a postos estratégicos em órgãos reguladores, no Banco Central e no Supremo Tribunal Federal (STF). A Reuters citou analistas: “O Congresso provavelmente bloqueará ou desacelerará as nomeações de Lula para cargos-chave, dizem analistas.
Pela primeira vez desde a redemocratização do Brasil, o Poder Executivo estará claramente em desacordo com o Senado”. A agência ressalta, assim, os obstáculos institucionais que podem limitar a agenda do governo.
Japan Times classifica vitória como ‘chocante’
No Japão, o jornal Japan Times classificou a vitória de Lula nas urnas como “chocante” e chamou o mandatário brasileiro de “presidente icônico da classe trabalhadora brasileira”. A reação japonesa evidencia o impacto global do resultado eleitoral. A surpresa expressa pelo veículo asiático contrasta com a análise de outros jornais, que já apontavam a possibilidade de virada.
União Europeia celebra democracia e multilateralismo
Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, também publicou um comunicado se dirigindo a Lula: “Parabéns ao amigo Lula pela sua vitória eleitoral. A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”. A mensagem da líder europeia reforça o tom de congratulação internacional. A declaração indica uma expectativa de cooperação entre o bloco europeu e o novo governo brasileiro.
Fonte
- agenciabrasil.ebc.com.br
- Rádios (radios.ebc.com.br)
- TV Brasil Acompanhe voto a voto a apuração do 2º turno das eleições 2026 (tvbrasil.ebc.com.br)
