O grupo Fleury, um dos maiores players de medicina diagnóstica do Brasil, está com o caixa reforçado e de olho em novas oportunidades de fusões e aquisições (M&A). A companhia, que atua em 14 estados e detém 13% de market share no setor, acumula cerca de R$ 2,2 bilhões em caixa, segundo dados recentes. Desde 2017, foram 22 transações, com investimentos totais de R$ 2,4 bilhões. O movimento mais recente foi a compra da Confiance, laboratório da região de Campinas, por R$ 130 milhões.
Faturamento mais que dobra em cinco anos
O crescimento da Fleury tem sido expressivo. O faturamento saltou de R$ 4,2 bilhões em 2021 para uma receita anualizada de R$ 9,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — um avanço de 119% no período. No primeiro trimestre deste ano, a receita cresceu 10,1% sobre o mesmo período de 2025, atingindo R$ 2,4 bilhões. O lucro também subiu 12,2% na mesma base de comparação.
Do total da receita, 91% vêm do core business, a medicina diagnóstica. O segmento B2C responde por 70% do faturamento, enquanto o lab to lab (serviços para outros laboratórios) corresponde a 21%. A empresa mantém parcerias com cerca de oito mil laboratórios espalhados por 2,2 mil municípios.
Presença nacional e portfólio de marcas
Atualmente, o grupo Fleury está presente em 65 cidades brasileiras, com 570 unidades de atendimento. São 39 marcas sob controle, resultado de uma estratégia de aquisições que incluiu, em 2023, a compra do Hermes Pardini. A capilaridade permite à companhia atender desde grandes centros até regiões do interior.
Desafios: juros altos e margens estáveis
Apesar do caixa robusto, o cenário macroeconômico impõe desafios. A taxa Selic está em 14,25% ao ano, o que encarece o custo de capital e pode frear novos negócios. Além disso, a margem Ebitda da Fleury mostra estabilidade: no primeiro trimestre, ficou em 27,3%, contra 27,2% do mesmo período de 2025. No consolidado de 2025, a margem Ebitda teve zero de crescimento.
Segundo o Itaú BBA, a previsão é que a empresa registre uma contração de 20 pontos-base no Ebitda em 2026 em comparação com o ano anterior. Isso indica que, mesmo com receita crescente, a rentabilidade pode sofrer pressão.
Estratégia de M&A sob análise
Com R$ 2,2 bilhões em caixa, a Fleury faz uma “análise clínica” para novas aquisições, avaliando cuidadosamente cada oportunidade. A empresa já demonstrou apetite por crescimento inorgânico, mas o ambiente de juros elevados exige cautela. A fonte não detalhou quais regiões ou segmentos são prioritários para as próximas compras.
O grupo, que tem 39 marcas e 570 unidades, busca consolidar sua posição em um mercado fragmentado. A combinação de caixa farto e desafios de margem deve orientar as próximas decisões da companhia.
