Há dez dias no cargo, o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, assumiu o comando da equipe econômica em um momento de desafios fiscais herdados da gestão anterior. O cenário inclui pressões orçamentárias, uma dívida pública em alta e o avanço da inadimplência entre as famílias brasileiras.
Diante disso, suas primeiras ações buscam equilibrar contas públicas e responder a demandas imediatas do setor produtivo.
Primeiras medidas e ajuste orçamentário
Uma das primeiras decisões anunciadas por Durigan foi um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026. Segundo a equipe econômica, a medida foi necessária para acomodar o avanço de despesas obrigatórias dentro do limite de crescimento real de gastos, fixado em até 2,5% acima da inflação.
Esse movimento reflete a busca por espaço fiscal em um contexto de restrições. Além disso, o governo projeta oficialmente um superávit primário de apenas R$ 3,5 bilhões.
Ao incluir precatórios e gastos fora do arcabouço fiscal, a própria previsão aponta para um déficit primário de R$ 59,8 bilhões.
Subsídio ao diesel e custos divididos
Paralelamente ao ajuste nas contas públicas, o ministro articula medidas de impacto imediato, como a criação de um subsídio ao diesel importado. Durigan confirmou a edição de uma medida provisória que prevê um benefício de R$ 1,20 por litro para esse combustível.
O custo estimado da iniciativa é de R$ 3 bilhões, valor que será dividido entre União e estados. Essa ação visa aliviar pressões sobre setores dependentes do diesel, mas representa um novo comprometimento de recursos.
Inadimplência e renda familiar comprometida
Outro front de atuação do novo ministro é o enfrentamento do avanço da inadimplência. Dados recentes do Banco Central mostram que o endividamento já compromete mais de 27% da renda mensal das famílias brasileiras.
Diante desse quadro, Durigan trabalha na formulação de políticas específicas para o tema, que se tornou uma preocupação central para a saúde financeira da população. O desafio é conciliar alívio para os consumidores com a sustentabilidade do crédito.
Pressões eleitorais e arrecadação tributária
O cenário político também traz pressões sobre os gastos do governo, com a possibilidade de redução, durante a campanha eleitoral, da taxa das blusinhas. Essa alíquota, de 20%, incide sobre compras do exterior de até US$ 50 e rendeu ao governo uma arrecadação de R$ 5 bilhões no ano passado.
Qualquer alteração nesse tributo poderia impactar as receitas públicas em um momento de fragilidade fiscal, exigindo compensações em outras áreas.
Mudanças estruturais e automatização
Para além das medidas de curto prazo, o novo ministro da Fazenda propôs mudanças estruturais, como a automatização da declaração do Imposto de Renda. A iniciativa busca modernizar processos e reduzir burocracia para os contribuintes.
Sua implementação, no entanto, depende de desenvolvimentos técnicos e legislativos. Essa abordagem indica uma visão de médio prazo para a gestão da pasta, mesmo diante de urgências imediatas.
Dívida pública e metas fiscais ajustadas
Legado fiscal herdado
O legado fiscal herdado por Durigan inclui uma dívida pública que saltou para 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025, o governo prolongou a meta de déficit zero para 2025.
Para 2026, reduziu para 0,25% do PIB a meta de superávit. Esses ajustes refletem a complexidade do cenário e a necessidade de flexibilidade nas projeções, em um contexto de crescimento econômico moderado.
Investimentos públicos em patamar baixo
Completando o quadro de desafios, os investimentos públicos seguem em patamar baixo, cerca de 2,3% do PIB. Esse nível limita a capacidade de o governo impulsionar a infraestrutura e o desenvolvimento econômico a longo prazo.
A combinação entre restrições fiscais e a necessidade de estímulos coloca Durigan diante de escolhas difíceis para alocar recursos escassos.
