A deeptech Doroth anunciou a captação de R$ 23 milhões em uma rodada de investimentos liderada pela Loccus, empresa reconhecida por suas iniciativas de inovação aberta. O aporte marca um passo decisivo para a companhia, que planeja construir a primeira indústria de chips microfluídicos da América Latina. A operação também amplia a estratégia da Loccus de expansão por meio de venture building e Corporate Venture Capital (CVC), com os programas Bios e Nanos.

Com o novo capital, a Doroth pretende sair da fase de pesquisa e validação para a produção em escala industrial. Segundo Rodrigo Gurdos, fundador e diretor de Novos Negócios da empresa, a parceria com a Loccus representa justamente essa transição. A expectativa é que a capacidade instalada atenda à primeira fase de expansão no mercado agro.

Investimento impulsiona produção em escala

Um dos principais destinos dos recursos será a construção de uma fábrica de chips microfluídicos. De acordo com Rodrigo, a unidade terá capacidade de produzir até 4 milhões de chips por ano. A estrutura contará com produção de lyobeads e uma esteira equipada com robôs delta para a montagem dos chips sem manipulação humana.

Essa automação é essencial para garantir a precisão e a escalabilidade exigidas pelo setor. A nova planta deve viabilizar produtos como o Extreme PCR, uma enzima que, segundo Rodrigo, é capaz de entregar resultados em menos de cinco minutos. A agilidade no diagnóstico é um diferencial competitivo relevante para o agronegócio.

Além da velocidade, a produção local de chips microfluídicos reduz a dependência de importações, um gargalo histórico para a biotecnologia brasileira. A fonte não detalhou o cronograma de construção da fábrica, mas o investimento sinaliza confiança no potencial da tecnologia.

Tecnologia com aplicações em saúde e agro

A plataforma desenvolvida pela Doroth permite detectar vírus, bactérias e outros agentes infecciosos em insetos vetores. Entre os exemplos citados estão a cigarrinha-do-milho, relevante para a sanidade agrícola, e o Aedes aegypti, associado à saúde pública. Essa versatilidade amplia o alcance da solução para diferentes mercados.

No campo, o monitoramento rápido de pragas pode evitar perdas significativas nas lavouras. Já no contexto urbano, a identificação precoce de patógenos em mosquitos contribui para o controle de doenças como dengue, zika e chikungunya. A Doroth já desenvolve projetos com grandes empresas do agronegócio, o que valida a aplicação prática da tecnologia.

A integração entre os setores agrícola e de saúde pública é um dos pilares da estratégia da empresa. A fonte não detalhou quais empresas do agro já utilizam a plataforma, mas a menção a projetos em andamento indica aceitação no mercado.

Sinergia entre Doroth e Loccus

Eduardo, executivo ligado à operação, destacou a complementaridade entre as duas empresas. “Unindo as empresas, a gente cria um time imbatível. Temos as melhores cabeças criativas dos dois lados, um processo produtivo que atende as duas empresas e canais de distribuição que serão utilizados pela Doroth”, afirmou. A declaração evidencia a busca por eficiência operacional e alcance comercial.

A Loccus, por sua vez, fortalece sua presença no ecossistema de inovação com essa rodada. Os programas Bios e Nanos, mencionados na claim, sugerem um portfólio diversificado de investimentos em biotecnologia e nanotecnologia. A sinergia entre as equipes deve acelerar o desenvolvimento de novos produtos.

A união de competências criativas e produtivas é um ativo intangível difícil de replicar. A fonte não detalhou os valores individuais investidos por cada parte, mas a liderança da Loccus na rodada sinaliza seu compromisso com a tese da Doroth.

Impacto no ecossistema de startups

A captação de R$ 23 milhões posiciona a Doroth como um dos destaques recentes do setor de deep techs no Brasil. O investimento em infraestrutura industrial, e não apenas em software, diferencia a empresa de muitas startups que priorizam soluções digitais. A construção de uma fábrica de chips microfluídicos é um marco para a autonomia tecnológica do país.

Para o ecossistema de inovação, a rodada liderada por uma corporate venture como a Loccus demonstra o amadurecimento do mercado de CVC no Brasil. A fonte não detalhou se haverá novas rodadas de captação no curto prazo, mas a capacidade instalada prevista sugere planos de crescimento sustentado.

A notícia foi divulgada originalmente no portal Startups, conforme indicado na fonte. O post destaca a relevância do aporte para o setor e reforça a tendência de investimentos em biotecnologia aplicada ao agronegócio.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
+ 18 = 21


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários