Dívida pública dos EUA passa de US$ 40 trilhões e preocupa
Crédito: investnews.com.br
Crédito: <a href="https://investnews.com.br/economia/divida-publica-dos-eua/" rel="nofollow noopener noreferrer" target="_blank">investnews.com.br</a>

A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou, pela primeira vez, a marca de US$ 40 trilhões, um patamar inédito para o país.

Além disso, o valor, que já cresceu um terço em menos de cinco anos — um aumento de aproximadamente 33% —, ocorre em um contexto em que os parlamentares americanos continuam a ignorar pedidos para enfrentar déficits fiscais historicamente altos. De acordo com o Departamento do Tesouro, a dívida em circulação estava em US$ 40,05 trilhões ao fim das operações de terça-feira (18), conforme comunicado divulgado hoje.

Dessa forma, o governo se aproxima cada vez mais do teto legal de endividamento, fixado em US$ 41,1 trilhões. Portanto, esse limite deve ser atingido em meados de 2027, segundo estimativas da Fitch Ratings.

Crescimento acelerado em cinco anos

Por exemplo, a marca de US$ 30 trilhões foi cruzada em janeiro de 2022, o que ilustra o rápido crescimento das necessidades de endividamento federal. Todavia, não há fim à vista. A alta da dívida americana se acelerou durante recessões severas ligadas à crise financeira global e à pandemia de covid. Nesses períodos, a arrecadação caiu à medida que trabalhadores que pagavam impostos perderam o emprego, e os pagamentos de assistência dispararam.

No entanto, isso não é por falta de debate em Washington sobre o tema. Bessent, por exemplo, disse que um dos principais motivos de ter entrado na política foi ajudar a enfrentar déficits em um ritmo sem precedentes fora de grandes guerras, pandemias ou mercados de trabalho deprimidos. Além disso, economistas e o mercado financeiro veem pouco ou nenhum avanço nos próximos anos na relação déficit/PIB. Ademais, o Congressional Budget Office (CBO), órgão de análise orçamentária do Congresso americano, compartilha essa visão.

Juros consomem terceira maior fatia

Os custos com juros são hoje a terceira maior parcela do orçamento, atrás de saúde e da Previdência Social.

Por outro lado, Bessent assumiu o cargo em 2025 defendendo uma meta de déficit orçamentário de cerca de 3% do PIB até o fim do segundo mandato de Donald Trump, que termina em janeiro de 2029. Todavia, não está claro como isso ainda pode acontecer. Por exemplo, em julho, a relação entre déficit e PIB era de 6%, número que representa o dobro da meta de 3% estabelecida para 2029, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Decisões políticas ampliaram o endividamento

Além disso, uma análise compilada por economistas do Deutsche Bank mostra que medidas de política adotadas por diferentes governos ao longo do tempo também contribuíram de forma relevante.

Cortes de impostos

  • Por exemplo, cortes de impostos do governo George W. Bush no início dos anos 2000: redução estimada de US$ 3,3 trilhões na arrecadação federal até meados da década de 2010.
  • Ademais, cortes de impostos aprovados por Donald Trump em 2017: redução de pelo menos US$ 1,5 trilhão na arrecadação na primeira década.

Gastos com guerras e estímulo

  • Além disso, guerras no Iraque e no Afeganistão: custo de mais de US$ 1,6 trilhão aos contribuintes até meados da década de 2010.
  • Ademais, o American Rescue Plan Act, aprovado em 2021 pelo governo de Joe Biden: pacote de estímulo em resposta à pandemia de Covid-19. Além disso, estima-se que aumente os déficits em US$ 1,8 trilhão a US$ 1,9 trilhão ao longo de uma década, sem contar os custos com juros.

Limite legal e composição da dívida

Consequentemente, atingir essa marca deve provocar mais um em uma série de embates partidários em Washington para evitar um potencial calote devastador nos pagamentos dos EUA. Ademais, a Fitch Ratings reafirmou em 13 de agosto a nota de crédito AA+ do país, mas reforçou os alertas sobre a trajetória atual de endividamento. Portanto, o teto, segundo a agência, deve ser atingido em meados de 2027.

Composição da dívida

O número da dívida pública inclui tanto os títulos do Tesouro negociados no mercado, que são o foco dos investidores, quanto a dívida intragovernamental. Ou seja, esta última reflete itens como superávits passados do sistema de Previdência Social, aplicados em títulos do Tesouro emitidos especificamente para essa finalidade.

Perspectivas para a economia

Em resumo, a dívida pública dos EUA atingiu um patamar sem precedentes, com crescimento impulsionado por fatores estruturais e conjunturais, como recessões, cortes de impostos e pacotes de estímulo. Portanto, o teto legal, estimado para 2027, representa um desafio iminente para a política fiscal do país. Ademais, a forma como o governo lidará com esse limite será crucial para a economia americana nos próximos anos. Dessa forma, as decisões do Congresso, nesse contexto, serão observadas de perto por investidores e agências de classificação de risco. O cenário, portanto, segue marcado por incertezas.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
+ 18 = 28


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários