A varejista de óculos Chilli Beans vai mudar sua estrutura executiva. A companhia fundada e comandada por Caito Maia há quase 30 anos está trazendo o executivo André Dela Togna como co-CEO. Ele assumirá o cargo a partir de 1º de outubro. A informação foi antecipada pelo Neofeed e confirmada pelo InvestNews.
Mudança executiva em meio à crise
A chegada de Dela Togna ocorre em um momento delicado para a empresa. A companhia avança nas negociações com os credores, o que ampliou a expectativa de que anunciaria um pedido de recuperação judicial. A Chilli Beans, porém, nega essa possibilidade. Em nota, afirma: “A empresa está em avançada negociação amigável com bancos credores, objetivando alongar prazos de pagamento e reduzir juros”.
Dela Togna vai ficar à frente do dia a dia e de decisões financeiras da companhia, sem que Maia se afaste do operacional, apurou a reportagem. A divisão de responsabilidades sugere uma tentativa de profissionalizar a gestão financeira enquanto o fundador mantém o comando criativo e comercial.
Perfil do novo co-CEO
Em seu perfil no LinkedIn, o novo co-CEO se descreve como um executivo de reestruturações. Dela Togna foi sócio da consultoria Galeazzi de 2017 a 2022. Desde agosto de 2023, comanda a empresa Ledervin, fabricante de laminados plásticos. Sua experiência em reestruturação de empresas pode ser um indicativo do foco que a Chilli Beans pretende dar à gestão de passivos e à relação com credores.
A contratação de um executivo com esse perfil é comum em companhias que buscam reorganizar suas finanças sem recorrer a medidas judiciais. A Chilli Beans não detalhou os critérios da escolha, mas o histórico de Dela Togna em consultoria e gestão de crise sugere que sua missão será estabilizar a situação financeira.
Negociações com credores e debêntures
Em março de 2025, a Chilli Beans concluiu a emissão de R$ 100 milhões em debêntures com vencimento em 2029 destinados ao reperfilamento de passivos. A emissão saiu com custo de CDI + 3,90% ao ano. Esse movimento já indicava a necessidade de alongar dívidas e reduzir o custo financeiro.
A Vert realizou reunião em maio deste ano para que os debenturistas decidissem se seria declarada a liquidação antecipada da dívida. Isso porque a Mustang, empresa controladora da Chilli Beans, deixou de apresentar os balanços auditados de 2025. Os debenturistas decidiram não antecipar a liquidação e deram um prazo de 45 dias para a apresentação dos números.
Em troca, porém, apertaram bastante o colateral. Ou seja, deixaram mais recebíveis retidos e menos liquidez livre para as franqueadas da Chilli Beans até cada pagamento ser confirmado. Essa medida aumenta a pressão sobre o caixa das lojas franqueadas, que dependem do fluxo de recebíveis para operar.
Busca por sócio e desempenho recente
A Chilli Beans estava em busca de um sócio e mandatou o UBS BB para isso, mas as conversas foram paralisadas diante da escalada na crise da companhia. A fonte não detalhou os motivos exatos da paralisação, mas o contexto de incertezas financeiras pode ter afastado potenciais investidores.
Ao InvestNews, a Chilli Beans afirma que teve resultados recordes no último Dia dos Pais e que projeta crescimento de 10% neste ano. “Parcerias com grandes marcas da moda e iniciativas com foco regional também estão em desenvolvimento para nos aproximar ainda mais de nossos consumidores.” A declaração contrasta com o cenário de renegociação de dívidas e busca por reestruturação.
O que esperar da nova gestão
A chegada de André Dela Togna como co-CEO marca uma tentativa de equilibrar a liderança carismática de Caito Maia com uma gestão financeira mais rigorosa. A divisão de funções pode permitir que Maia se concentre em produtos, marketing e expansão, enquanto Dela Togna cuida do relacionamento com bancos e da eficiência operacional.
O sucesso dessa estratégia dependerá da capacidade de renegociar dívidas em condições favoráveis e de manter a confiança de franqueados e investidores. A Chilli Beans não informou se haverá outras mudanças na diretoria ou no conselho. A fonte não detalhou os próximos passos da reestruturação.
A empresa segue negando um pedido de recuperação judicial, mas o mercado acompanha de perto os desdobramentos. A apresentação dos balanços auditados dentro do prazo de 45 dias será um teste crucial para a credibilidade da gestão e para a relação com os debenturistas.
Fonte
- investnews.com.br
- SIGA NO GOOGLE (profile.google.com)
- concluiu a emissão de R$ 100 milhões (www.vert-capital.com)
- Spotify (open.spotify.com)
- Apple Podcasts (podcasts.apple.com)
