O Safra retomou a cobertura de Bradsaúde (SAUD3), antiga Odontoprev, com recomendação de compra (Outperform) e elevou o preço-alvo da ação de R$ 13,50 para R$ 19,00. O novo valuation implica potencial de valorização de cerca de 37% em relação aos níveis atuais, levando o banco a ver uma relação risco-retorno atrativa após a queda de aproximadamente 14% dos papéis desde a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026.
A decisão reflete a visão de que o mercado precificou de forma excessiva os riscos de curto prazo, ignorando fundamentos sólidos e perspectivas de crescimento. Com isso, o Safra sinaliza confiança na capacidade da companhia de gerar valor aos acionistas nos próximos anos.
Retomada de cobertura e novo preço-alvo
O banco justifica a retomada da cobertura com base em uma análise aprofundada do modelo de negócios da Bradsaúde, que combina operações de saúde bucal e planos médicos. A elevação do preço-alvo de R$ 13,50 para R$ 19,00 representa um aumento de 40,7% na estimativa anterior, indicando uma revisão significativa das projeções de lucros e múltiplos.
Segundo o relatório, a queda recente das ações criou uma oportunidade de entrada para investidores de longo prazo. O Safra destaca que a empresa mantém métricas de rentabilidade superiores à média do setor, o que sustenta o potencial de reavaliação.
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Fundamentos sólidos apesar da queda
No segundo trimestre, a empresa reportou retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) de 25,8% nos últimos 12 meses. Esse indicador, considerado elevado para o setor de saúde, demonstra eficiência na alocação de capital e consistência operacional.
Além disso, a Bradsaúde tem apresentado crescimento contínuo em sua base de beneficiários, impulsionado pela integração de serviços odontológicos e hospitalares. A combinação de receitas recorrentes e sinergias operacionais reforça a resiliência do negócio mesmo em cenários econômicos adversos.
Consolidação do setor favorece líderes
Outro ponto favorável é o processo de consolidação do setor. De acordo com o relatório, as três maiores seguradoras de saúde do país adicionaram mais beneficiários nos últimos 12 meses do que todo o mercado combinado, ao mesmo tempo em que ampliaram suas margens operacionais.
Na visão do Safra, esse movimento fortalece os líderes e reduz o risco de competição agressiva por preços. A Bradsaúde, como uma das principais operadoras verticalizadas, tende a se beneficiar dessa dinâmica, ganhando escala e poder de negociação com prestadores.
Projeções de lucro e dividendos atrativos
Nas estimativas do Safra, o lucro líquido da companhia deve crescer de R$ 4,6 bilhões em 2026 para R$ 6,4 bilhões em 2030, uma taxa média anual de expansão de 8%. O retorno sobre patrimônio deve permanecer entre 26% e 28%, enquanto o dividend yield pode avançar de 9,5% em 2027 para 12,4% em 2030.
Essas projeções indicam que a Bradsaúde deve manter uma política de distribuição de proventos generosa, atraente para investidores focados em renda. O crescimento do lucro, aliado à estabilidade do ROE, sugere que a empresa conseguirá sustentar pagamentos crescentes sem comprometer investimentos.
Gatilhos para reavaliação no curto prazo
Ainda assim, o Safra avalia que a divulgação das demonstrações financeiras consolidadas, o crescimento dos resultados da plataforma hospitalar e uma futura ampliação do free float podem servir como gatilhos para uma reavaliação das ações pelo mercado nos próximos trimestres.
A consolidação das demonstrações deve trazer maior transparência sobre a rentabilidade das diferentes linhas de negócio, permitindo que investidores avaliem com mais precisão o valor da companhia. Já a expansão do free float tende a aumentar a liquidez e atrair investidores institucionais, reduzindo o desconto de holding.
Riscos e considerações finais
Embora o cenário seja positivo, o Safra não detalhou riscos específicos no relatório. Contudo, é importante que investidores considerem fatores como regulação do setor de saúde, concorrência e execução da estratégia de integração.
No geral, a recomendação de compra reflete a convicção do banco de que a Bradsaúde está subvalorizada e possui catalisadores claros para destravar valor. A combinação de fundamentos robustos, consolidação setorial e projeções de crescimento sustenta o potencial de alta de 37%.
Fonte
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