Alta de 10% no petróleo pode elevar inflação em até 0,7 p.p., diz Itaú
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Um choque de 10% no preço do petróleo pode adicionar entre 0,5 e 0,7 ponto percentual à inflação brasileira, de acordo com estudo do Itaú divulgado recentemente. A estimativa considera tanto os efeitos diretos sobre os combustíveis quanto os impactos indiretos sobre custos de produção e transporte. O cenário-base do banco já projeta uma inflação de 5,2% para o final de 2026, considerando um petróleo a US$ 85 por barril e câmbio de R$ 5,15.

Metodologia combina dois modelos

Os economistas do Itaú usaram duas metodologias combinadas de análise para chegar aos números. O primeiro método, um modelo econométrico, avalia o repasse histórico efetivo de variações do petróleo para os preços ao consumidor. O segundo caminho é o canal indireto, calculado sobre os custos intermediários de produção e de transporte. O repasse indireto é mais difuso ao longo das cadeias produtivas e tem defasagens temporais, o que torna sua mensuração mais complexa.

Impacto direto e indireto

Somando o canal direto e as estimativas do canal indireto, o banco consolida a faixa de impacto total entre 50 e 70 pontos-base. O choque de 10% no petróleo eleva o IPCA em cerca de 30 pontos-base de forma indireta. Aproximadamente um terço do efeito indireto total deriva do óleo diesel, que tem peso relevante no transporte de cargas e no custo de insumos agrícolas e industriais. O efeito direto, por sua vez, incide sobre os preços da gasolina, etanol e outros derivados.

Cenário-base e riscos

O cenário-base traçado pela instituição projeta uma inflação de 5,2% ao final de 2026. Esta estimativa considera um preço médio do petróleo de US$ 85 por barril e uma taxa de câmbio de R$ 5,15. Nesta sexta, o câmbio operava perto de R$ 5, o que indica que a taxa de câmbio pode estar mais favorável do que o previsto. Os analistas ressaltam que o impacto potencial pode ser ainda mais elevado, caso o petróleo suba além dos 10% considerados ou haja desvalorização cambial adicional.

Inflação já em trajetória de alta

A inflação estava estimada em algo abaixo de 4% no início do ano, mas as projeções já subiram significativamente. Com o choque do petróleo, a inflação iria facilmente a algo entre 4,5% e 4,7%. O Boletim Focus revisou a expectativa de inflação de 2026 para 4,92%, mostrando que o mercado já incorpora pressões altistas. O quadro atual exige maior cautela do Banco Central na condução do ciclo de cortes da taxa básica de juros, segundo os analistas do Itaú.

O estudo foi publicado originalmente no portal InfoMoney, sob o título ‘Alta de 10% no petróleo coloca até 0,7 p.p. a mais na inflação, diz Itaú’.

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