Agenda econômica da semana: PIB, payroll e PMIs em foco
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A agenda econômica da semana de 31 de agosto a 4 de setembro terá como destaques a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, os novos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e a prévia da inflação da zona do euro. Investidores e analistas acompanham atentamente esses indicadores para calibrar expectativas sobre crescimento e política monetária. No Brasil, o foco recai sobre a atividade econômica do segundo trimestre, enquanto nos EUA o payroll e os pedidos de seguro-desemprego devem sinalizar a resiliência do mercado laboral.

A semana ainda reserva uma série de pesquisas de gerentes de compras (PMIs) em várias economias, oferecendo um panorama amplo da atividade privada global.

Agenda doméstica começa com dados fiscais

A agenda doméstica ainda conta com o Boletim Focus e as Estatísticas Fiscais do Banco Central na segunda-feira (31). O relatório traz o resultado primário do setor público consolidado, o resultado nominal e a evolução da dívida bruta em relação ao PIB. Esses números são cruciais para avaliar a saúde das contas públicas e a trajetória da dívida, fatores que influenciam diretamente a percepção de risco dos investidores. O Boletim Focus, por sua vez, reúne as projeções de mercado para inflação, juros e câmbio, servindo como termômetro das expectativas.

A divulgação conjunta desses dados na segunda-feira fornece um ponto de partida importante para a semana, permitindo que os agentes ajustem suas posições antes dos indicadores de atividade.

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PIB do Brasil e produção industrial em destaque

Na terça-feira (1º), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o PIB do Brasil referente ao segundo trimestre, tanto na variação trimestral quanto na anual. Esse dado é o principal termômetro da atividade econômica doméstica e deve indicar o impacto da pandemia de Covid-19 sobre a produção, o consumo e os investimentos. A expectativa é de forte contração, refletindo as medidas de isolamento social adotadas no período.

Na quarta-feira (2), o IBGE apresenta a produção industrial de julho, que complementa o quadro ao mostrar o desempenho do setor manufatureiro no início do terceiro trimestre. Juntos, esses indicadores ajudam a dimensionar a profundidade da recessão e a velocidade da recuperação.

PMIs e balança comercial fecham a semana brasileira

Os PMIs industrial, de serviços e composto ajudarão a medir o desempenho da atividade privada, com divulgações ao longo da semana. O PMI industrial sai na terça-feira, enquanto os PMIs de serviços e composto são publicados na quinta-feira (3). Esses índices, baseados em pesquisas com gerentes de compras, oferecem uma leitura tempestiva sobre novas encomendas, produção, emprego e expectativas. Leituras acima de 50 pontos indicam expansão, enquanto abaixo sugerem contração. A semana termina com a balança comercial de agosto, na sexta-feira (4), revelando o saldo entre exportações e importações.

Esse dado é relevante para avaliar a competitividade externa e o fluxo de divisas, especialmente em um cenário de câmbio volátil.

EUA: mercado de trabalho sob os holofotes

Nos Estados Unidos, o foco estará no mercado de trabalho. Na quarta-feira (2), o relatório ADP dará uma primeira leitura sobre a criação de empregos no setor privado em agosto. Embora não seja um indicador oficial, o ADP costuma antecipar tendências do payroll, que será divulgado na sexta-feira (4). Na quinta-feira (3), serão divulgados os pedidos semanais de seguro-desemprego, que mostram a dinâmica das demissões em tempo real.

O payroll de sexta-feira, junto com a taxa de desemprego e o salário médio por hora, será o dado mais aguardado da semana, pois influencia diretamente as decisões do Federal Reserve. Uma leitura forte pode reforçar a expectativa de manutenção dos juros, enquanto uma leitura fraca pode aumentar as apostas em novos estímulos.

Outros indicadores americanos complementam o cenário

A agenda também inclui o Jolts, com dados sobre vagas abertas, contratações e desligamentos, além dos PMIs da S&P Global e do ISM. O Jolts, divulgado na terça-feira, oferece uma visão detalhada da demanda por trabalho, mostrando quantas vagas estão disponíveis em relação ao número de desempregados. Os PMIs industriais saem na terça e na quarta, enquanto os de serviços e composto são publicados na quinta. Na quarta-feira, o Federal Reserve publica o Livro Bege, que reúne avaliações de seus 12 distritos sobre atividade, emprego e inflação.

Esse documento é usado nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) e pode sinalizar a direção da política monetária. Além disso, o GDPNow do Fed de Atlanta, atualizado ao longo da semana, oferece uma estimativa em tempo real do PIB americano.

Zona do euro: prévia da inflação e PMIs

Na zona do euro, os investidores acompanham a prévia da inflação ao consumidor (CPI) e o núcleo da inflação, divulgados na terça-feira (1º). Esses dados são essenciais para avaliar as pressões de preços e a eficácia das políticas do Banco Central Europeu (BCE). A taxa de desemprego da região também será conhecida na mesma data. Os PMIs industrial, de serviços e composto, publicados ao longo da semana, fornecem um retrato da atividade privada nos países membros.

A leitura desses indicadores é particularmente relevante em um momento de debate sobre a necessidade de novos estímulos monetários. O Reino Unido, por sua vez, tem uma agenda mais enxuta, com destaque para o PMI da construção e o discurso de Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra, na sexta-feira.

Japão: produção industrial e vendas no varejo

No Japão, os investidores acompanharão a produção industrial e as vendas no varejo, além dos PMIs industrial, de serviços e composto. Os indicadores devem oferecer uma leitura mais ampla sobre o consumo e a atividade japonesa em meio às discussões sobre os próximos passos do Banco do Japão. A produção industrial, divulgada no início da semana, mostra a saúde do setor manufatureiro, fortemente dependente das exportações. As vendas no varejo, por sua vez, refletem a demanda doméstica, que tem sido afetada pelo aumento do imposto sobre consumo e pela pandemia.

Os PMIs, com divulgação ao longo da semana, complementam o quadro ao captar as expectativas dos gerentes de compras sobre a evolução futura da economia.

Agenda completa: horários e indicadores

Para facilitar o acompanhamento, listamos abaixo os principais eventos da semana, com horários de Brasília:

Segunda-feira (31/08)

08:25 — Boletim Focus
08:30 — Dívida Bruta/PIB
08:30 — Dívida Líquida/PIB
08:30 — Resultado Primário
08:30 — Balanço Orçamentário
Feriado no Reino Unido — Summer Bank Holiday

Terça-feira (01/09)

09:00 — PIB do Brasil (trimestral)
09:00 — PIB do Brasil (anual)
10:00 — PMI Industrial (Brasil)
10:45 — PMI Industrial (EUA)
11:00 — PMI Industrial ISM (EUA)
11:00 — Jolts (vagas em aberto)
12:30 — GDPNow (Fed de Atlanta)
17:30 — Estoques de Petróleo (API)
03:00 — Índice Nationwide de Preços dos Imóveis (Reino Unido)
05:30 — PMI Industrial (Reino Unido)
05:00 — PMI Industrial (zona do euro)
06:00 — Inflação (CPI) (zona do euro)
06:00 — Núcleo da Inflação (zona do euro)

06:00 — Taxa de Desemprego (zona do euro)

Quarta-feira (02/09)

09:00 — Produção Industrial (Brasil)
14:30 — Fluxo Cambial (Brasil)
09:15 — ADP Emprego (EUA)
11:00 — Encomendas à Indústria (EUA)
15:00 — Livro Bege do Fed (EUA)

Quinta-feira (03/09)

10:00 — PMI de Serviços (Brasil)
10:00 — PMI Composto (Brasil)
09:30 — Balança Comercial (EUA)
09:30 — Pedidos de Seguro-Desemprego (EUA)
10:45 — PMI de Serviços (EUA)
10:45 — PMI Composto (EUA)
11:00 — ISM de Serviços (EUA)
12:30 — GDPNow (Fed de Atlanta)
05:30 — PMI de Serviços (Reino Unido)
05:30 — PMI Composto (Reino Unido)
05:00 — PMI de Serviços (zona do euro)
05:00 — PMI Composto (zona do euro)
06:00 — PPI (zona do euro)

Sexta-feira (04/09)

Balança Comercial de agosto (Brasil)
09:30 — Payroll (EUA)
09:30 — Taxa de Desemprego (EUA)
09:30 — Salário Médio por Hora (EUA)
14:00 — Contagem de Sondas Baker Hughes (EUA)
05:30 — PMI da Construção (Reino Unido)
05:50 — Discurso de Andrew Bailey (BoE)

Com uma agenda tão carregada, os mercados devem operar com volatilidade, reagindo a cada divulgação. A recomendação dos analistas é cautela e atenção aos desdobramentos, especialmente em relação aos dados de emprego nos EUA e ao PIB brasileiro.

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