Modelos sem ponteiros, joysticks no lugar da coroa e discos coloridos para indicar as horas. Na alta relojoaria, a suíça Vanguart se firma como a jovem rebelde entre as marcas independentes. Fundada em 2017, combina trabalho artesanal, ousadia criativa e produção restrita a cerca de 50 relógios por ano.
Encomenda de Sam Altman revela exclusividade
Quando o jornal The Wall Street Journal (WSJ) revelou um pedido de Sam Altman à pequena fabricante suíça, a Vanguart ganhou projeção para além do círculo ultrarrestrito de seus clientes. O cofundador e CEO da OpenAI encomendou um relógio sob medida. Um não, sete — para ele e seu núcleo mais próximo no alto escalão da companhia.
O pedido teria levado de seis meses a um ano e mobilizado pelo menos um terço dos 33 funcionários. O valor pago não foi divulgado. Mas, pelo preço de fábrica do Orb em titânio, os sete relógios somariam US$ 1,26 milhão — antes da personalização.
Essa encomenda ilustra o posicionamento da Vanguart no mercado de luxo, onde a personalização e a escassez são diferenciais competitivos.
Personalização com mensagens cifradas
As peças trazem gravadas obsessões (e piadas internas) do grupo. No lugar do número 12, aparece o logotipo da empresa. No botão da coroa, a inscrição “SCALING” faz referência à aposta em melhorar a inteligência artificial com mais dados e mais poder computacional.
E, ao redor do rotor, está a máxima de Altman: “Compute is Destiny”, ou “Computação é destino”. Na linguagem de programação Python, a inscrição no fundo da caixa “if AGI.aligned: deploy()” significa: “Se a inteligência artificial geral estiver alinhada, coloque-a em funcionamento”.
Esses detalhes mostram como a Vanguart traduz conceitos abstratos em elementos físicos do relógio, criando peças únicas e significativas para seus clientes.
Conexões valiosas impulsionam a marca
A ascensão também passa por conexões valiosas. Sem campanhas publicitárias, a Vanguart conquistou colecionadores como James Harden, que virou acionista, Ed Sheeran, John Mayer e Michael Jordan. O uso de um relógio por colecionadores influentes como Michael Jordan dá chancela à marca.
Na imagem, o ex-jogador usa a versão em titânio do Black Hole Tourbillon, cuja produção foi limitada a oito unidades, a partir de US$ 430 mil cada uma. Entre os raros clientes conhecidos estão também Gerard Lopez, cofundador da Mangrove Capital Partners, uma das primeiras a apostar no Skype, e David J. Adelman, fundador e CEO da Darco Capital.
Essas associações reforçam a reputação da Vanguart entre personalidades de destaque em diferentes setores.
Produção artesanal e foco em tecnologia
Como acontece no ateliê de toda independente, nas oficinas da maison em La Chaux-de-Fonds, o trabalho é artesanal e a produção, escassa — restrita a cerca de 50 unidades por ano. A ruptura com as convenções, porém, costuma ser radical.
Cerca de um terço da produção atende a encomendas privadas de empresários e investidores de tecnologia — a maioria sob acordos de confidencialidade. A aposta é conquistar quem já tem os clássicos e procura excelência técnica, engenhosidade mecânica e liberdade para experimentar.
O modelo para a OpenAI reforça a fama da Vanguart como “relógio de CEO”.
Modelos icônicos e preços elevados
Lançado em 2021, o Black Hole Tourbillon não tem ponteiros. Três discos giratórios indicam horas, minutos e segundos. Feito sob encomenda para um colecionador do Oriente Médio, o Black Hole Tourbillon “Yas Edition” está avaliado em cerca de US$ 900 mil.
A nutricionista e modelo Maye Musk, mãe de Elon, é cliente da Vanguart. No comando da marca, fundada em 2017, estão dois especialistas em mecanismos complexos, um designer e um financista.
A combinação de inovação técnica e estética diferenciada posiciona a Vanguart como uma alternativa às marcas tradicionais de luxo.
