Ibovespa despenca 18% e tem pior semana desde 2020
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O Ibovespa encerrou a sexta-feira (30) com queda de 0,75%, aos 167.922 pontos, acumulando perda semanal de 18,12% — a mais intensa desde março de 2020. O dólar comercial, por sua vez, subiu mais de 1% na sessão, a R$ 5,44, maior patamar desde dezembro do ano passado, e fechou a semana com alta de 9%. Os juros futuros também dispararam, com o DI para janeiro de 2028 avançando 159 pontos-base, a 14,48% ao ano.

O movimento refletiu a reação do mercado à vitória inesperada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo. A reversão das expectativas provocou fortes ajustes nos ativos, em meio às perspectivas de maior risco fiscal e juros mais altos por mais tempo.

Segunda-feira concentrou maior parte do ajuste

A maior parte do ajuste veio na segunda-feira, quando a Bolsa caiu 14%, com acionamento de circuit breaker logo na abertura. O mecanismo, que paralisa temporariamente as negociações em momentos de altíssima volatilidade, foi acionado diante da avalanche de ordens de venda. O dólar saltou mais de 8% naquele dia, chegando a passar dos R$ 5,60 na máxima do dia.

Nos dias seguintes, o mercado tentou encontrar algum equilíbrio, mas a pressão vendedora persistiu. O Ibovespa emendou cinco pregões consecutivos de queda, fechando a semana no menor patamar em cerca de dois meses e meio. A volatilidade permaneceu elevada, com investidores reavaliando cenários para a política econômica.

Mês de outubro aprofunda perdas

No acumulado de outubro, o Ibovespa recuou 9,88%, a maior queda mensal desde junho de 2022. O índice saiu dos 186.340 pontos no fim de setembro, chegou a fechar acima de 209 mil na expectativa de alternância de poder e ajuste fiscal, e voltou aos 167 mil. No ano, ainda acumula alta de 4,22%.

O dólar, por sua vez, acumulou valorização de 5,2% em outubro. No ano, a moeda americana opera praticamente no zero a zero, após ter oscilado entre momentos de forte queda e forte alta ao longo de 2022. A trajetória recente, contudo, reacendeu alertas sobre pressões inflacionárias e custos de importação.

Juros futuros disparam com temor fiscal

Os juros futuros também dispararam. O DI para janeiro de 2028 fechou a 14,48% ao ano, com alta de 159 pontos-base na semana. Nos vencimentos mais longos, a alta foi ainda maior: 249 pontos-base nos contratos para janeiro de 2030 e janeiro de 2035, que fecharam a 15,14% e 15,25%, respectivamente.

Esse movimento indica que o mercado passou a precificar um cenário de juros básicos mais altos por mais tempo, diante da percepção de maior risco fiscal. A inclinação da curva de juros reflete a incerteza sobre a condução da política econômica e a sustentabilidade da dívida pública nos próximos anos.

Reação à vitória de Lula

A vitória de Lula no domingo reverteu as expectativas que vinham sendo construídas nas semanas anteriores. Até então, parte do mercado apostava em uma alternância de poder com compromisso de ajuste fiscal, o que havia levado o Ibovespa a superar os 209 mil pontos. Com o resultado, porém, os investidores passaram a exigir prêmios maiores para carregar risco brasileiro.

As declarações iniciais do presidente eleito e de sua equipe não foram suficientes para acalmar os ânimos. A ausência de nomes para a equipe econômica e a sinalização de prioridade a gastos sociais alimentaram o receio de expansão fiscal sem contrapartidas claras. A fonte não detalhou eventuais medidas anunciadas para conter o estresse.

Impactos para investidores e empresas

A forte queda da bolsa e a disparada do dólar afetam diretamente a carteira de investidores pessoa física e institucionais. Fundos de ações e multimercados com exposição a ativos brasileiros sofreram perdas expressivas na semana. Empresas com dívidas em dólar veem seus passivos aumentarem em reais, pressionando balanços.

Por outro lado, exportadoras tendem a se beneficiar de um câmbio mais desvalorizado, pois recebem em dólar e têm custos em reais. Ainda assim, o ambiente de juros altos encarece o crédito e reduz o apetite por risco, o que pode atrasar planos de investimento e contratações. A fonte não detalhou impactos setoriais específicos.

O que esperar daqui para frente

O mercado agora aguarda definições concretas sobre a equipe econômica e as primeiras medidas do novo governo. A nomeação de um ministro da Fazenda com perfil ortodoxo poderia aliviar parte da pressão sobre os ativos. Por outro lado, sinalizações de aumento de gastos sem compensação podem aprofundar a aversão ao risco.

Analistas consultados pela reportagem não foram citados nas informações disponíveis, mas o comportamento dos preços sugere que a volatilidade deve permanecer elevada nas próximas semanas. A trajetória dos juros futuros indica que o mercado já precifica uma Selic terminal mais alta, o que tende a limitar uma recuperação rápida da bolsa.

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