Flávio Bolsonaro não consegue apoio de aliados no Brasil
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou nas redes sociais, na quarta-feira, uma carta em que se autodeclarou “presidente eleito do Brasil”, após chegar aos Estados Unidos. A publicação ocorreu depois de sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por mais de quatro milhões de votos no segundo turno, no domingo (25). Embora tenha alegado ser vítima de um golpe eleitoral, o senador não apresentou provas de fraude nas eleições.

A repercussão da carta entre aliados políticos no Brasil foi majoritariamente negativa. Apenas um aliado do senador, entre os que estavam ao lado dele no discurso após a derrota nas urnas, compartilhou a primeira versão do documento. Nenhum aliado compartilhou a segunda versão do texto, na qual Flávio se descreveu como o “líder” do país.

Reações de lideranças partidárias

O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto, afirmou na manhã de quinta-feira que não gostou da carta divulgada no dia anterior. Ele disse que não a aprovou e que também não sabia previamente da viagem aos Estados Unidos. “Não gostei”, declarou Costa Neto aos repórteres, quando questionado sobre o documento.

“Flávio passou por uma situação difícil — nós compreendemos — mas não aprovamos. Queremos tocar o país para frente”, acrescentou o presidente do PL. A fala sinaliza um distanciamento da legenda em relação à postura do senador.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), importante aliado de Flávio e que fez campanha pelo senador, também se manifestou. Em declaração ao Estadão, Tarcísio afirmou que os resultados das eleições no Brasil devem ser respeitados e que é hora de seguir em frente.

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Oposição critica postura do senador

Aécio Neves, líder do PSDB, de centro-direita, e crítico do PT e de Lula, descreveu o comportamento de Flávio como “incompreensível” em um comunicado. Ele acrescentou que a política de oposição deve ser conduzida de dentro do país, rejeitando a ideia de liderança a partir do exterior.

O partido de centro-direita União Brasil, que apoiou o senador no segundo turno, afirmou ser essencial que as instituições “sejam maiores que as pessoas”. A legenda declarou que a eleição foi conduzida com integridade e que seus resultados devem ser respeitados.

O MDB, de centro, que também apoiou, em sua maioria, Flávio no segundo turno, adotou um tom semelhante. “O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado da eleição do último domingo”, afirmou o partido em nota.

Aliados silenciam sobre a carta

Entre os aliados mais próximos do candidato derrotado, o silêncio predominou. O senador eleito Medeiros, que estava perto de Flávio durante sua primeira declaração após a derrota no domingo, não publicou a segunda carta, na qual o senador se definiu como “líder”.

Outros aliados, como Lucas Pavanato (PL), Guilherme Derrite (PP), Alfredo Gaspar (PL), Deltan Dallagnol (Novo), Douglas Ruas (PL) e Pablo Marçal (PRTB), não postaram a carta golpista em suas redes sociais.

Nenhum dos candidatos à Presidência derrotados no primeiro turno que apoiaram Flávio na corrida presidencial contra Lula — Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) — fez menção à carta.

Comentário isolado e reação internacional

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) não fez uma postagem com o documento, mas comentou o tema no X: “Esquerda zuando o Flávio porque ele ‘se autodeclarou’ presidente… então tá liberado zuar quem se autodeclara alguma coisa? Bom saber”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que confirmou que seu governo havia permitido a entrada de Flávio no país, recusou-se a comentar nesta quinta-feira quando questionado sobre quem ele considerava o vencedor legítimo. “Eu acompanhei a eleição. Não tomei partido,” disse ele. “O presidente, o atual presidente, me pediu que não tomasse partido”, completou.

Promessas da carta e reação de Marinho

Em sua carta, Flávio prometeu liderar a oposição do exterior e “assumir os riscos” que os políticos locais não pudessem assumir. Ele acrescentou que apoiaria uma possível candidatura do senador Rogério Marinho à presidência do Senado em 2027.

Marinho, que atuou como coordenador de campanha de Flávio, disse aos repórteres que o agora ex-candidato continua sendo “um líder” e “a maior expressão da direita” no Brasil, dado o apoio que recebeu de quase 60 milhões de eleitores. No entanto, Marinho também rejeitou as alegações de fraude eleitoral. “O PL não pode fazer essa alegação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, declarou.

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