Minoritários pedem OPA Toky de quase R$ 2 bilhões
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Acionistas minoritários da Toky protocolaram reclamação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra fundos geridos pela SPX Private Equity e pela DSK Capital. O pedido central é que o grupo realize uma oferta pública de aquisição (OPA) de quase R$ 2 bilhões, após supostamente ultrapassar o limite de 20% do capital social previsto no estatuto da companhia.

Segundo a reclamação, os fundos atuaram em conjunto para acumular cerca de 30,8% das ações da Toky. Pelo estatuto, quem ultrapassa o teto de 20% é obrigado a comprar as ações dos demais acionistas. A Toky, a SPX e a DSK não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

Engenharia com debêntures em dezembro

A suposta engenharia começou em 3 de dezembro de 2025, quando os debenturistas aprovaram dividir as debêntures conversíveis da Toky em duas séries com preços de conversão diferentes. Todas as debêntures pertenciam ao fundo DFS, gerido pela SPX.

Essa divisão teria permitido que os fundos convertessem os títulos em ações a um custo reduzido. A operação, segundo os minoritários, foi o primeiro passo para a formação da posição conjunta acima do limite estatutário.

Posição financiada pelo próprio fundo

Pelas contas dos minoritários, a posição custou cerca de R$ 32,4 milhões, o equivalente a R$ 0,77 por ação. O valor teria sido financiado pelo próprio DFS, sem desembolso dos compradores.

Essa estrutura levantou questionamentos sobre a origem dos recursos e a efetiva transferência de risco. A reclamação afirma que os compradores nunca desembolsaram o montante, o que poderia configurar irregularidade na aquisição das ações.

Desembolso teórico de R$ 1,9 bilhão

Se a OPA fosse realizada nos termos pedidos pelos minoritários, o desembolso teórico chegaria a cerca de R$ 1,9 bilhão. Esse valor seria necessário para comprar todas as ações que não estão nas mãos do grupo.

O montante representa aproximadamente 70 vezes o valor de mercado atual da Toky, estimado em cerca de R$ 28 milhões. A disparidade evidencia o impacto potencial da operação sobre os acionistas minoritários.

Ação despenca após a conversão

A queda se acelerou depois da operação. No fim de novembro de 2025, antes da conversão das debêntures, a ação da Toky valia o equivalente a R$ 80 na base atual.

Fechou dezembro a R$ 64,80 e, em 2026, acumula queda de 84,2%, até os R$ 10,24 de sexta, 2. A desvalorização acentuada coincide com o período em que a posição do grupo teria sido consolidada.

Mapa de votação confirma posição

Os minoritários afirmam que a soma das duas posições bate com as ações que os fundos da SPX, o TKM e o DeLorean, declararam no mapa de votação da assembleia de 5 de agosto de 2026.

Esse cruzamento de dados reforçaria a tese de atuação conjunta entre os fundos. A coincidência entre as posições declaradas e as ações convertidas é um dos principais argumentos da reclamação.

Pedido de suspensão de voto

Por isso, os minoritários pedem que a CVM se manifeste antes da assembleia e que os direitos de voto do grupo sejam suspensos. A medida está prevista no estatuto para quem deixa de fazer a OPA obrigatória.

A suspensão impediria que os fundos exerçam influência nas deliberações até que a situação seja regularizada. A CVM ainda não se pronunciou sobre o caso.

Silêncio das partes envolvidas

Procuradas pelo NeoFeed, Toky, SPX e DSK não se manifestaram até a publicação desta reportagem. A ausência de posicionamento oficial deixa em aberto as versões das empresas sobre as acusações.

O caso segue em análise na autarquia, e os desdobramentos podem definir o futuro da companhia e de seus acionistas minoritários.

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