Dólar abaixo de R$ 5 após primeiro turno: entenda
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O dólar voltou a operar abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio. Às 10h15 desta segunda-feira (5), a moeda americana registrava forte desvalorização ante o real, com queda de 4,64%, cotada a R$ 4,98. O movimento reflete a surpresa no primeiro turno da eleição presidencial, com o candidato de oposição Flávio Bolsonaro (PL) liderando a votação, contrariando o que os institutos de pesquisa apontavam até a véspera.

Com 100% das urnas apuradas, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Lula, que tenta a reeleição, ficou com 45,16%. A diferença apertada e a vantagem do candidato de oposição alimentaram expectativas de mudança na condução da economia, impulsionando o real.

Por que o dólar caiu?

A queda do dólar vem a reboque da perspectiva de que um eventual governo de Flávio Bolsonaro pode amenizar os riscos de alta ainda maior da dívida pública. Investidores interpretam que uma gestão mais alinhada ao controle de gastos reduziria a pressão sobre as contas do governo, o que tende a fortalecer a moeda brasileira.

Além disso, uma política fiscal de consolidação pode ajudar a atrair mais capital estrangeiro para o país, o que ajuda a fortalecer o real. Por outro lado, uma moeda brasileira mais valorizada potencializa os ganhos dos estrangeiros no mercado local, criando um ciclo favorável à entrada de recursos.

Analistas projetam dólar a R$ 4,50

O Goldman Sachs enxerga o dólar com potencial para cair até R$ 4,50, caso ocorra efetivamente uma mudança e o novo governo sinalize o compromisso com uma política fiscal com foco na contenção de gastos públicos. A projeção considera um cenário de continuidade da valorização do real nas próximas semanas.

O banco lembra que na eleição de 2018, o real continuou a se valorizar até a sexta-feira anterior ao segundo turno. Os analistas sugerem que o cenário pode se repetir nas próximas três semanas, período que antecede a votação final.

Juros futuros recuam com força

Os juros futuros também abriram em forte queda. Os contratos de DI para janeiro de 2028, por exemplo, saíram de 13,51% para 12,705%. A redução reflete a menor percepção de risco fiscal e a expectativa de juros básicos mais baixos no futuro.

Os contratos para janeiro de 2029 seguem na mesma toada, com recuo de 13,75% ao ano para 12,72%. Esse movimento acompanha a melhora do humor do mercado em relação aos ativos brasileiros, impulsionado pelo resultado eleitoral.

O que esperar até o segundo turno

Com a disputa ainda indefinida, os investidores devem monitorar de perto as sinalizações dos candidatos sobre política econômica. A continuidade da tendência de queda do dólar dependerá da percepção de compromisso com o equilíbrio fiscal.

O histórico de 2018 sugere que o real pode manter trajetória de valorização até a véspera da votação, mas a fonte não detalhou projeções além desse horizonte. O mercado permanece atento a pesquisas e declarações que possam alterar as expectativas.

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