O Itaú BBA decidiu manter inalterada sua carteira recomendada de fundos imobiliários (FIIs) para o mês de outubro, que segue composta por 12 veículos. A decisão foi divulgada em relatório assinado pelos analistas Fausto Menezes e Larissa Gatti Nappo. Segundo eles, a preferência continua sendo por FIIs de papel, ou seja, fundos de crédito, devido a um cenário que “permanece favorável no curto prazo”.
Essa escolha reflete uma leitura cuidadosa do ambiente macroeconômico. Os analistas explicam que a visão é baseada na projeção de pausa do atual ciclo de cortes de juros. A expectativa é de uma Selic de 13,75% ao ano ao fim de 2026, o que favorece os rendimentos dos fundos de papel indexados ao CDI. Dessa forma, a carteira busca capturar a atratividade desses ativos em um momento de juros ainda elevados.
Preferência por fundos de papel
Os fundos de papel, que investem majoritariamente em títulos de dívida imobiliária, como CRIs, tendem a se beneficiar diretamente de taxas de juros altas. Com a Selic projetada em patamar ainda restritivo, a rentabilidade desses fundos permanece competitiva em relação a outras classes de ativos. O Itaú BBA destaca que o curto prazo segue favorável para essa estratégia.
Além disso, a pausa nos cortes de juros reduz a pressão sobre os rendimentos futuros desses papéis. Isso porque, quando os juros caem, os títulos indexados ao CDI passam a render menos nas novas emissões. Portanto, a manutenção da Selic em 13,75% até o fim de 2026 sustenta o fluxo de rendimentos dos FIIs de papel já existentes. A fonte não detalhou quais são os 12 fundos específicos da carteira.
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Visão sobre fundos de tijolo
Quanto aos fundos de tijolo, que investem em imóveis físicos, como lajes corporativas e shoppings, os analistas observam bases sólidas e ciclos positivos. Apesar disso, pontuam que a continuidade desse desempenho depende, em parte, da evolução da atividade econômica. Ou seja, o crescimento do PIB e a geração de empregos influenciam diretamente a ocupação e os aluguéis.
Os fundos de tijolo também são mais sensíveis à reprecificação das curvas de juros. Isso pode aumentar a volatilidade diante do cenário atual, marcado por incertezas. Ainda assim, o Itaú BBA enxerga espaço para valorização adicional, sustentada pelo desconto remanescente e pelo bom momento operacional. Essa visão equilibrada justifica a manutenção de alguns fundos de tijolo na carteira, embora com menor peso relativo.
Desempenho recente da carteira
Em setembro, o portfólio escolhido pelo banco registrou queda de 0,3%, ante recuo de 0,23% do IFIX, principal índice de fundos imobiliários da B3. A diferença é pequena, mas mostra que a carteira teve um desempenho ligeiramente pior que o benchmark no mês. Esse resultado pode ser atribuído à composição da carteira, que inclui ativos mais sensíveis às oscilações de curto prazo.
No acumulado de 2026, porém, o desempenho da carteira é positivo em 2,1%, contra desvalorização de 0,53% do indicador referencial. Isso indica que, apesar da volatilidade mensal, a seleção do Itaú BBA tem gerado retorno superior ao IFIX no ano. A resiliência da carteira reflete a escolha por ativos com fundamentos sólidos e boa previsibilidade de renda.
Cenário de cautela no mercado
Segundo o BBA, o mês passado foi marcado pela continuidade do ambiente de cautela no mercado de fundos imobiliários. Entre os fatores que contribuíram para esse cenário, o banco citou tensões geopolíticas globais, o período eleitoral e os juros elevados. Esses elementos geram incerteza e afetam o apetite por risco dos investidores.
As tensões geopolíticas, como conflitos internacionais, podem impactar os fluxos de capital para mercados emergentes. O período eleitoral, por sua vez, aumenta a volatilidade devido à indefinição de políticas econômicas. Já os juros elevados tornam a renda fixa mais atrativa, competindo diretamente com os FIIs. A combinação desses fatores explica a postura defensiva adotada pelo Itaú BBA.
O que esperar para outubro
Para o mês de outubro, a manutenção da carteira sinaliza que o banco não vê necessidade de mudanças estruturais. A estratégia continua focada em fundos de papel, que oferecem renda previsível e menor sensibilidade à vacância. Ao mesmo tempo, a presença de fundos de tijolo permite capturar oportunidades de valorização no médio prazo.
Investidores que seguem a recomendação devem estar atentos aos riscos mencionados, como a volatilidade dos fundos de tijolo e a dependência do cenário macroeconômico. A fonte não detalhou projeções de dividendos ou preços-alvo para os FIIs. Contudo, a análise sugere que a carteira está posicionada para navegar o ambiente atual com equilíbrio entre renda e potencial de ganho de capital.
Fonte
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