Os países do G7 e seus parceiros planejam liberar até 100 milhões de barris de petróleo e diesel de seus estoques de emergência, encerrando uma semana de pressão crescente do governo Trump para reduzir os preços dos combustíveis, que dispararam. A medida foi anunciada em meio a esforços internacionais para estabilizar o mercado energético.
Liberação coordenada pela AIE em quatro meses
A liberação, coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE), ocorrerá ao longo dos próximos quatro meses, com foco inicial no diesel, disse o presidente francês Emmanuel Macron na sexta-feira. A medida pretende “enviar um sinal claro aos mercados”, afirmou. A expectativa é de que a ação conjunta reduza a pressão sobre os preços.
Os contratos futuros de diesel na Europa chegaram a cair mais de 8% antes de recuperar parte das perdas, enquanto os futuros de diesel nos EUA recuaram até 5,6%. Os contratos futuros do petróleo Brent encerraram o dia praticamente estáveis. A reação inicial do mercado indica alívio, mas a sustentabilidade da queda ainda é incerta.
Acordo alivia ameaça de proibição de exportações
O acordo ajudará a aliviar as preocupações com as ameaças feitas anteriormente pelo presidente Donald Trump de impor uma proibição às exportações de diesel dos EUA. A possibilidade de restrições havia gerado temores de escassez em mercados dependentes do combustível americano. Com a liberação, o risco imediato de interrupção no fornecimento diminui.
Um comunicado do G7 não especificou quanto petróleo e diesel serão liberados nem detalhou o que corresponde a novos compromissos e ao volume já prometido anteriormente. A falta de detalhes deixa dúvidas sobre o impacto real da medida, mas o anúncio em si já influenciou as cotações.
EUA concluem participação com 40 milhões de barris
Os EUA, por outro lado, aprovaram nesta semana a liberação de mais 40 milhões de barris de sua Reserva Estratégica de Petróleo, concluindo sua participação no acordo de março. Essa liberação adicional reforça o esforço americano para aumentar a oferta no mercado doméstico e internacional.
Trump disse em uma publicação nas redes sociais na sexta-feira que recebeu bem a medida. “A Europa acaba de concordar em liberar uma quantidade enorme de seu Diesel Oil, que estava amplamente estocado”, escreveu Trump. “O processo começará imediatamente.” A declaração sinaliza apoio à ação coordenada.
Prêmio do diesel europeu recua para US$ 69
O prêmio do diesel europeu em relação ao petróleo bruto, uma medida acompanhada de perto para avaliar a força do mercado, caiu para US$ 69 por barril, ante US$ 76,77 na quinta-feira, segundo dados de valor justo compilados pela Bloomberg. A redução reflete a expectativa de maior oferta de diesel no curto prazo.
“Isso pode redirecionar parte das exportações americanas para outros mercados ou de volta para o mercado doméstico”, disse Joe DeLaura, estrategista global de energia do Rabobank. “É uma solução de curto prazo para empurrar o problema mais um ou dois meses para frente.” A análise indica que a medida pode não resolver os desequilíbrios estruturais do mercado.
Preços altos pressionam agricultores e demanda
O diesel chegou a US$ 6,53 por galão nos postos dos EUA, pressionando os agricultores. Na Europa, os preços futuros chegaram a superar US$ 200 por barril em alguns momentos, nível que, segundo operadores, é alto o suficiente para pressionar a demanda. A liberação das reservas busca justamente aliviar essa pressão sobre consumidores e setores produtivos.
A combinação de preços elevados e incertezas geopolíticas tem desafiado governos a agir rapidamente. A ação do G7 representa uma tentativa de conter a escalada e dar previsibilidade ao mercado. Resta observar se a liberação será suficiente para equilibrar oferta e demanda nos próximos meses.
Fonte
- investnews.com.br
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