O petróleo fechou em queda nesta terça-feira (29) com a retomada das exportações pelo oleoduto da Arábia Saudita e a expectativa de algum avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para pôr fim aos conflitos no Oriente Médio. O contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para dezembro fechou com recuo de 1,71%, a US$ 96,16 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para novembro caiu 3,48%, a US$ 89,38 o barril.
O movimento refletiu o alívio nas preocupações com a oferta global, impulsionado pela normalização dos fluxos no Mar Vermelho e por sinais de distensão geopolítica. A queda interrompeu uma sequência de altas que havia levado o Brent a superar a marca simbólica de US$ 100 por barril nas sessões anteriores.
Retomada das exportações sauditas alivia oferta
Segundo dados da Kpler, imagens de satélite confirmaram uma “recuperação operacional significativa” nos terminais de Yanbu e Muajjiz, que ficam na costa do Mar Vermelho, na Arábia Saudita. A plataforma de transporte marítimo informou que um total de 12,5 milhões de barris foram carregados em nove navios-tanque em Yanbu, de sábado a segunda-feira. Esse volume representa uma retomada expressiva da capacidade de escoamento do reino, após semanas de interrupção.
As exportações nos terminais foram interrompidas pelo ataque com drones ao oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita no início deste mês, aumentando os temores de outro grande impacto no fornecimento global. O oleoduto é uma rota estratégica que liga os campos do leste saudita ao Mar Vermelho, permitindo exportações sem depender do Estreito de Ormuz. Com a volta das operações, o mercado passou a precificar uma oferta mais robusta, o que pressionou os preços para baixo.
Além disso, as exportações de petróleo dos produtores do Oriente Médio atingiram 16,328 milhões de barris por dia — o maior nível desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, no final de fevereiro. Esse dado reforça a percepção de que a região, apesar dos conflitos, conseguiu manter ou até ampliar sua capacidade de exportação, reduzindo o prêmio de risco embutido nos preços.
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Negociações EUA-Irã entram no radar
Outro fator que contribuiu para a queda foi a expectativa de avanço nas conversas entre Washington e Teerã. Embora as negociações ainda estejam em estágio inicial, a simples possibilidade de um acordo para reduzir as tensões no Oriente Médio foi suficiente para aliviar os temores de interrupções no fornecimento. O Irã é um dos maiores produtores da OPEP, e qualquer sinal de normalização diplomática tende a reduzir o risco de sanções adicionais ou de conflitos que afetem a infraestrutura petrolífera.
Os EUA também impuseram sanções a 10 pessoas físicas e jurídicas, incluindo algumas sediadas na China, em Hong Kong e no Paquistão, por ajudarem o Ministério da Defesa do Irã a adquirir armas e componentes, segundo o Departamento do Tesouro do país. A medida, anunciada nesta terça-feira, mostra que a pressão econômica sobre Teerã continua, mas não impediu o recuo dos preços. Para analistas, o mercado interpretou as sanções como parte de uma estratégia mais ampla de negociação, e não como um agravamento imediato do conflito.
Impacto no mercado e perspectivas
A perda do patamar de US$ 100 por barril é simbólica, mas não significa uma reversão definitiva da tendência de alta. O petróleo acumula ganhos expressivos no ano, impulsionado por cortes de produção da Opep+ e pela recuperação da demanda global. No entanto, a combinação de maior oferta saudita e possível distensão no Oriente Médio pode limitar novos avanços no curto prazo.
Investidores agora monitoram os próximos passos das negociações entre EUA e Irã, bem como a evolução das exportações sauditas. Qualquer sinal de retrocesso nesses fatores pode reacender a pressão compradora. Por ora, o mercado parece mais confortável com a ideia de que o fornecimento global não será severamente afetado, o que tende a manter os preços em uma faixa mais moderada.
Para o consumidor final, a queda do petróleo pode se traduzir em alívio nos preços de combustíveis, embora a transmissão dependa de fatores cambiais e tributários. No Brasil, a Petrobras tem adotado uma política de preços que acompanha as cotações internacionais, mas com defasagens. Ainda assim, um recuo sustentado do Brent e do WTI tende a reduzir a pressão sobre a inflação e sobre os custos de transporte e logística.
Fonte
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