Juros futuros sobem com Treasuries e cautela eleitoral
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A curva de juros futuros encerrou a sessão desta segunda-feira (28) em alta, refletindo a combinação de pressão externa dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a cautela com o quadro eleitoral brasileiro. Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) avançaram em todos os vencimentos, com destaque para a ponta longa, que concentrou os maiores prêmios de risco.

O movimento foi impulsionado pela expectativa de uma política monetária mais restritiva pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o que manteve os Treasuries operando nas máximas históricas. Além disso, a incerteza doméstica elevou os prêmios dos DIs, especialmente nos prazos mais longos.

Treasuries nas máximas pressionam curva local

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano permaneceram em patamares elevados, refletindo a percepção de que o Fed pode adotar uma postura ainda mais dura para conter a inflação. Esse cenário tende a reduzir a atratividade de ativos de risco e aumenta a pressão sobre as taxas de juros em economias emergentes, como o Brasil.

“Vemos espaço adicional para que os juros continuem abrindo, à medida que os mercados precificam um pico mais alto para a taxa de juros do Fed”, afirmou a estrategista de juros do BofA Securities, Meghan Swiber. A declaração reforça a leitura de que o ciclo de aperto monetário nos EUA pode se estender além do inicialmente previsto.

Sem forward guidance do presidente do banco central norte-americano, Kevin Warsh, Swiber avalia que os investidores provavelmente continuarão precificando altas adicionais enquanto o crescimento econômico nos EUA permanecer resiliente e a inflação seguir elevada. A ausência de sinalização clara deixa o mercado mais sensível a dados econômicos e discursos de autoridades.

Esse ambiente externo desafiador contribuiu para que a curva de juros brasileira operasse em alta ao longo de todo o dia, com os vencimentos mais longos refletindo maior aversão ao risco.

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Cautela eleitoral eleva prêmios na ponta longa

No cenário doméstico, a proximidade das eleições e as incertezas sobre o cenário político adicionaram prêmio de risco aos contratos de DI. A pesquisa Quaest divulgada recentemente mostrou oscilações nas intenções de voto, mantendo o quadro indefinido e elevando a cautela entre os investidores.

De acordo com o levantamento, Lula oscilou de 37% a 39% no primeiro turno, enquanto Flávio foi de 33% a 34%. No segundo turno, ambos aparecem com 42%, mas Lula ganhou um ponto em relação à edição anterior, enquanto o filho de Jair Bolsonaro marcou estabilidade. Esse empate técnico reforça a percepção de disputa acirrada, o que costuma aumentar a volatilidade nos mercados.

A indefinição eleitoral tende a elevar os prêmios de risco, pois os agentes financeiros buscam proteção contra possíveis mudanças na condução da política econômica. Dessa forma, os contratos de DI de prazos mais longos foram os mais afetados, refletindo a maior sensibilidade a eventos futuros.

Fechamento da curva: altas em todos os vencimentos

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2027 subiu a 13,565%, de 13,548% no ajuste de sexta-feira (25). O DI para janeiro de 2029 aumentou de 13,814% no ajuste a 13,89%. Já o DI para janeiro de 2031 avançou a 14,05%, vindo de 13,934%.

Os números mostram que a alta foi mais intensa nos vencimentos mais longos, o que é consistente com a leitura de maior prêmio de risco associado à incerteza eleitoral e à trajetória da política monetária americana. A inclinação da curva se acentuou, indicando que os investidores exigem retornos maiores para prazos mais distantes.

Esse movimento reflete a combinação de fatores externos e internos que pressionaram os juros futuros ao longo do dia. A ausência de notícias capazes de reverter o sentimento negativo manteve as taxas em trajetória ascendente até o fechamento.

Perspectivas para os próximos dias

Com o cenário ainda incerto, a tendência é de que os juros futuros permaneçam voláteis. A divulgação de novos dados econômicos nos EUA, como inflação e emprego, pode influenciar as expectativas para o Fed e, consequentemente, os Treasuries. No Brasil, o desenrolar da campanha eleitoral deve continuar no radar dos investidores.

A fala da estrategista do BofA sugere que, enquanto a economia americana mostrar resiliência e a inflação não ceder, os mercados tendem a precificar juros mais altos por mais tempo. Isso pode manter a pressão sobre a curva local, especialmente nos vencimentos mais longos.

Por outro lado, eventuais surpresas positivas no cenário político doméstico ou uma sinalização mais suave do Fed poderiam aliviar as taxas. No entanto, por ora, o balanço de riscos aponta para a manutenção de prêmios elevados.

Os investidores devem acompanhar de perto as próximas pesquisas eleitorais e os discursos de autoridades monetárias, que podem trazer novas pistas sobre o rumo dos juros. A fonte não detalhou projeções específicas para os próximos dias, mas o ambiente segue desafiador.

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