A aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para o menor nível registrado em levantamento do Financial Times, em meio ao desgaste com a economia e o custo de vida a menos de dois meses das eleições de meio de mandato (midterms, em inglês), informou o jornal. Segundo pesquisa nacional do instituto Focaldata, 33% dos eleitores registrados aprovam o desempenho de Trump — o menor índice desde maio, quando o Financial Times começou a medir a pergunta, e três pontos abaixo do mês anterior.
O levantamento também aponta queda entre republicanos: a aprovação de Trump nesse grupo recuou para 72%, mínima histórica na série do FT. O jornal atribui o movimento ao pessimismo com a economia e à rejeição às tarifas e à política comercial do presidente. A insatisfação com a condução econômica se reflete em diferentes frentes, desde o preço dos combustíveis até as tensões comerciais com o Canadá.
Economia pesa na avaliação do presidente
O FT destaca ainda que a guerra com o Irã, que Trump não conseguiu encerrar, elevou nos últimos seis meses os custos de financiamento dos EUA e pressionou preços de combustível e bens de consumo. Na sexta-feira, 4, o preço do diesel nos EUA atingiu recorde de US$ 5,85 por galão, segundo a AAA. Esse cenário de alta nos custos diários tem corroído a confiança dos eleitores, mesmo entre aqueles tradicionalmente alinhados ao Partido Republicano.
O aumento do diesel impacta diretamente o transporte de mercadorias, elevando o preço de alimentos, materiais de construção e outros itens essenciais. A fonte não detalhou a variação percentual acumulada, mas o recorde nominal sinaliza pressão inflacionária persistente. Com isso, a percepção de que a economia não está sob controle ganha força, minando a base de apoio do presidente.
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Tarifas sobre o Canadá geram rejeição ampla
Na área comercial, 56% desaprovaram a decisão do presidente dos EUA de impor tarifa de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, incluindo mais de 60% dos independentes e quase um terço dos republicanos. O FT relata que o Canadá reagiu com tarifas retaliatórias de até 50% sobre importações americanas, ampliando a guerra comercial e aumentando temores de preços mais altos.
A medida, anunciada como forma de pressionar o vizinho do norte, encontrou resistência até no eleitorado conservador. A rejeição entre independentes ultrapassa a marca de 60%, um sinal de que a política tarifária é vista como prejudicial ao bolso do consumidor. Produtos como madeira, laticínios e autopeças podem ficar mais caros, afetando diretamente o orçamento das famílias.
Trump no centro da campanha republicana
O jornal afirma que Trump tem se colocado no coração da campanha republicana das eleições de meio de mandato, com uma convenção inédita de dois dias do Comitê Republicano Nacional prevista para a próxima semana em Dallas. Mas a estratégia pode ter efeito contrário: 46% disseram que Trump dificulta a vitória de candidatos republicanos ao Congresso e 47% dos independentes afirmaram que um endosso de Trump os tornaria menos propensos a apoiar um candidato.
A presença ativa do ex-presidente na campanha, embora mobilize a base fiel, afasta eleitores de centro. O dado sobre endosso negativo entre independentes é particularmente relevante em disputas acirradas, onde o voto moderado costuma decidir o resultado. A convenção em Dallas pode reforçar a imagem de um partido atrelado a Trump, o que, segundo a pesquisa, não é vantajoso para a legenda.
Democratas ampliam vantagem no voto genérico
No cenário de voto genérico para o Congresso, os democratas aparecem com vantagem de 7,5 pontos sobre os republicanos, acima dos 5 pontos do mês anterior. A ampliação da margem sugere que o descontentamento com a administração Trump está se traduzindo em intenção de voto para a oposição. A fonte não detalhou a metodologia da pergunta, mas o crescimento de 2,5 pontos em um mês indica tendência de fortalecimento democrata.
Com a eleição se aproximando, o cenário desfavorável ao partido do presidente pode influenciar a distribuição de recursos e o foco das campanhas. Candidatos republicanos em distritos competitivos podem buscar distanciamento de Trump, enquanto os democratas devem explorar a insatisfação econômica. A pesquisa do Financial Times, realizada pelo Focaldata, oferece um retrato do humor do eleitorado em um momento decisivo.
Fonte
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