O petróleo cai cerca de 5% nesta terça-feira (25), em meio a relatos de avanço nas negociações por um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. Além disso, a possibilidade de redução das tensões diminui os temores de interrupções no fornecimento da commodity e de uma escalada do conflito na região. Dessa forma, o Brent, referência global, recuava 5,03%, a US$ 85,99 o barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, caía 4,69%, a US$ 81,02.
Prêmio de risco perde força com avanço nas negociações
A queda dos contratos reflete, em grande parte, a diminuição do chamado prêmio de risco — valor adicional embutido nos preços diante do temor de que um conflito possa comprometer a produção ou o transporte da commodity. Portanto, com a perspectiva de uma redução das tensões entre Washington e Teerã, esse prêmio perde força.
O movimento ocorre em meio a sinais de avanço nas negociações envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo e gás. No entanto, os preços já operavam em baixa antes dos relatos de progresso, mas a intensificação das conversas sobre o estreito acelerou as perdas.
Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br
Negociações sobre o Estreito de Ormuz
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e seu homólogo de Omã, Badr Albusaidi, discutiram um “marco provisório” para retomar o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, segundo uma declaração conjunta divulgada pela Agência de Notícias de Omã. Em seguida, a iniciativa prevê:
- Criação de um “corredor marítimo conjunto temporário”;
- Projeto de remoção de minas para restabelecer a navegação segura na região;
- Continuação de negociações técnicas para estabelecer um corredor marítimo permanente.
Em resumo, o objetivo é definir a futura administração do estreito, criar mecanismos para troca de informações, gerenciamento do tráfego e prestação de serviços marítimos e de segurança.
Estreito fechado desde março
Por Ormuz passava anteriormente cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. Contudo, a rota permanece em grande parte fechada desde março, quando o Irã bloqueou o estreito após ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro. Dessa forma, a reabertura é considerada fundamental para reduzir o risco de interrupções no fornecimento e aliviar a pressão sobre os preços.
Trump afirma que minas foram removidas
Mais cedo nesta terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Marinha americana havia removido as minas do estreito, em uma medida destinada a permitir a retomada do fluxo de navios pela importante rota. Além disso, Trump também afirmou que o Irã foi informado de que qualquer embarcação que instalasse novas minas seria “imediatamente e sistematicamente destruída”.
O presidente americano, porém, não apresentou evidências para sustentar a afirmação de que o estreito havia sido completamente desminado. Ademais, autoridades europeias já haviam demonstrado ceticismo sobre declarações anteriores, devido à natureza complexa e demorada da remoção de minas.
Mediação regional ganha contornos
O comunicado conjunto de Irã e Omã afirmou que os dois lados “enfatizaram a importância de realizar negociações conjuntas com os países regionais que fazem fronteira com as águas do Golfo Pérsico”. Ademais, Albusaidi afirmou, em uma publicação nas redes sociais, que as conversas com parceiros regionais serão realizadas em apoio à paz e à cooperação, à estabilidade e à liberdade de navegação.
Teerã havia afirmado anteriormente que estava concentrado nas negociações com Omã, outro país banhado pelo Estreito de Ormuz, e que essas conversas eram independentes das negociações paralisadas com Washington. Todavia, nesta terça-feira, porém, houve sinais de que outros países da região podem participar das discussões. Além disso, a viagem de Albusaidi ocorre um dia depois de uma visita do chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir. Dessa forma, tanto Omã quanto Paquistão têm desempenhado papéis de mediadores nas negociações entre Washington e Teerã.
Analistas veem avanço, mas com ressalvas
Anna Jacobs, pesquisadora não residente do Arab Gulf States Institute, afirmou que o acordo é “definitivamente um pequeno passo na direção certa, mas a reação e a coordenação dos EUA serão importantes para entender o quanto isso é sério”. Além disso, ela acrescentou que, embora Omã continue trabalhando para encontrar compromissos aceitáveis tanto para Washington quanto para Teerã, “a variável imprevisível é Trump e se seu governo apoiaria esse marco”.
Um acordo para facilitar o tráfego pelo estreito poderia ajudar a criar condições para a retomada das negociações entre Irã e EUA. Portanto, as conversas técnicas entre Irã e Omã devem prosseguir para definir a administração da via e os mecanismos de segurança.
Impacto nos preços do petróleo
Para o mercado de petróleo, uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz é relevante porque reduz o risco de interrupções no transporte de petróleo e gás pela região. Consequentemente, esse movimento ajuda a explicar a forte queda dos contratos nesta terça-feira. Ou seja, o Brent recua 5,03%, para US$ 85,99, enquanto o WTI cai 4,69%, para US$ 81,02.
Fonte
- investnews.com.br
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