Aeris consegue tutela cautelar para renegociar dívida
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A Aeris acionou uma tutela cautelar antecedente para renegociar sua dívida com credores. Portanto, a medida ocorre em meio à deterioração dos indicadores financeiros da companhia, que registrou prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre de 2026. Em março de 2025, a empresa já havia repactuado cerca de 90% de uma dívida total de R$ 1,7 bilhão; no entanto, o mercado segue precificando o risco, com as debêntures negociadas com deságio superior a 85%.

Reestruturação anterior da dívida

A dívida total da Aeris soma R$ 1,7 bilhão, e cerca de 90% desse montante foi repactuado em março de 2025. Na ocasião, a companhia concluiu o reperfilamento com a inclusão de bancos como Santander, BB, BV e BNDES. Além disso, o processo de repactuação envolveu a renegociação de prazos e condições com os principais credores financeiros. A reestruturação, no entanto, não foi suficiente para estabilizar as finanças da empresa.

Debêntures AERI11 e AERI12

As duas emissões de debêntures da companhia, AERI11 e AERI12, são peças centrais desse processo. Ambas são quirografárias, ou seja, sem garantia — o que significa que, em caso de falência, têm menor prioridade de recebimento —, e indexadas a 100% do CDI, um referencial comum para títulos de renda fixa no Brasil. Ademais, essas emissões somavam mais de R$ 1 bilhão em saldo no fim de 2024.

  • Sem garantia específica, elevando o risco em cenário de estresse financeiro.
  • Indexação a 100% do CDI.
  • Saldo superior a R$ 1 bilhão no fim de 2024.
  • Dessa forma, a repactuação alongou o vencimento para 2030.
  • Juros elevados de DI+2% para DI+3% ao ano a partir de 2026.
  • Ademais, o pagamento passou a ser trimestral a partir de 2027.

Além disso, o pagamento passou a ser trimestral a partir de 2027, uma tentativa de dar fôlego ao caixa. Contudo, os indicadores financeiros continuaram a se deteriorar, levando a empresa a buscar novas alternativas. Portanto, a resposta do mercado já sinalizava a desconfiança.

Prejuízo e deságio dos papéis

No segundo trimestre de 2026, a Aeris registrou prejuízo líquido de R$ 152 milhões. Consequentemente, o resultado reflete um cenário de pressão sobre a companhia, que viu seus indicadores piorarem mesmo após a repactuação. Assim sendo, a situação levou os investidores a exigirem um prêmio maior para manter os papéis.

O mercado de crédito privado já vinha precificando o risco antes mesmo da assembleia de debenturistas. Por exemplo, a Anbima parou de calcular taxa indicativa para as duas debêntures no início de dezembro de 2024, dias antes de a companhia convocar a primeira assembleia para tratar da reestruturação. Dessa forma, a suspensão da taxa indicativa é uma medida incomum e sinaliza a falta de consenso sobre a precificação dos títulos. Em resumo, essa sinalização foi um primeiro alerta.

Com a deterioração, as debêntures passaram a ser negociadas com deságio superior a 85% frente ao valor de curva. Ademais, os dados são da B3 e da Oliveira Trust, agente fiduciário das emissões. Ou seja, na prática, isso significa que os papéis são negociados por menos de 15% do valor de face, um indício claro do alto risco percebido pelo mercado.

Interesse da Sinoma Blade

A Aeris confirmou que seus controladores foram abordados pela chinesa Sinoma Blade, fabricante de pás eólicas, sobre uma possível venda de participação. Ademais, a informação já havia sido divulgada em dezembro de 2024, em resposta a um questionamento da CVM. Em seguida, a confirmação da abordagem foi feita pela própria companhia, que respondeu a um ofício do regulador. Todavia, naquele momento, a negociação não avançou, e até agora não houve desfecho.

O interesse da Sinoma Blade ocorreu em um período de incertezas para a Aeris. Dessa forma, a companhia não detalhou os motivos do impasse nas tratativas. Por outro lado, a venda de participação poderia trazer alívio financeiro; contudo, as conversas não progrediram.

O que é a tutela cautelar

Assim sendo, a Aeris acionou uma tutela cautelar antecedente, mecanismo jurídico que dá proteção temporária para negociar com credores. Portanto, a medida é usada antes de um pedido formal de recuperação judicial ou extrajudicial. Além disso, em geral, a tutela precede uma dessas saídas em até 30 dias. Dessa forma, o mecanismo permite que as negociações ocorram sob a supervisão do Judiciário, mas sem a complexidade de um processo de recuperação.

Dessa forma, a companhia busca espaço para renegociar suas obrigações sem o risco imediato de execuções. Assim sendo, a estratégia visa evitar um processo de recuperação, tentando um acordo direto com os credores. Contudo, resta saber se as negociações serão concluídas dentro desse prazo.

Por outro lado, os controladores da Aeris seguem sem um acordo com a Sinoma Blade. No entanto, a renegociação da dívida segue em aberto, sob a proteção da tutela cautelar. Em resumo, os próximos dias serão decisivos para definir o futuro da companhia. Portanto, o mercado acompanha os próximos passos.

A Aeris não se manifestou oficialmente sobre os próximos passos da renegociação. Contudo, a fonte não detalhou prazos ou condições para a conclusão do processo.

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