A Dior ainda não abriu sua nova loja no Brasil e já planeja outro passo. Para o fim de 2027, a grife francesa prevê abrir uma unidade de cerca de 600 metros quadrados no Iguatemi São Paulo, na avenida Faria Lima. Ademais, o movimento integra uma ofensiva de conglomerados globais de luxo, que passaram a enxergar o mercado brasileiro como prioridade para crescer e disputar o bolso do consumidor de alta renda.
Expansão de grifes em múltiplas frentes
A Dior, no entanto, não está sozinha. Além disso, outras grandes marcas também ampliam sua presença no país. Veja os planos:
- Chanel: cerca de 1.200 m² no shopping Cidade Jardim
- Hermès: mais de 900 m² no Cidade Jardim
- Prada: aproximadamente 780 m² no Cidade Jardim
- Loro Piana e Alaïa: primeiras lojas no país
Além disso, o movimento mais relevante acontece por trás das vitrines: as grifes passaram a ver no Brasil um mercado em que vale disputar uma parcela maior do orçamento e da frequência de compra do consumidor. Dessa forma, essa disputa ganha força justamente quando o mercado global perde fôlego, mas o Brasil segue em expansão.
Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br
Mercado brasileiro cresce em ritmo acelerado
O interesse no mercado brasileiro cresce em um momento em que a demanda por luxo global desacelera. Por exemplo, o enfraquecimento do apetite da China, os sucessivos aumentos de preço e a dificuldade de apresentar novidades afastaram parte dos consumidores no mundo. Assim sendo, os conglomerados trocaram diretores criativos e passaram a procurar novas fontes de crescimento. Portanto, o Brasil ganhou peso.
Segundo a consultoria Bain & Company, o mercado brasileiro de luxo avançou, em média, 12% ao ano entre 2022 e 2024 — quatro vezes o ritmo global no período. Além disso, moda e itens pessoais respondem por cerca de R$ 21 bilhões do faturamento anual do setor no país, que está em R$ 98 bilhões. Ademais, o número de brasileiros de alto poder aquisitivo também cresceu: passou de mais de 730 mil, em 2014, para 1,3 milhão, em 2022, e pode chegar a 1,5 milhão em 2030. Portanto, as maisons buscam parceiros locais para entrar no país.
Parcerias locais viabilizam a entrada
Além disso, ao encontrarem um mercado em crescimento, as maisons europeias também têm encontrado importantes parceiros para viabilizar a entrada no Brasil de maneira competitiva. Por exemplo, o shopping Cidade Jardim, da JHSF, passa hoje pela maior fase de expansão de sua história. O novo espaço de 3.500 metros quadrados é destinado a marcas internacionais e de gastronomia. Ou seja, é nesse endereço que nomes como Loro Piana, Alaïa, James Perse e Fusalpe preparam a inauguração de novas lojas.
Ademais, multimarcas como NK Store e Working Title também cumprem uma função estratégica. Por exemplo, elas apresentam etiquetas ao público, testam a aceitação de coleções e formam demanda antes de uma loja própria. Dessa forma, as grifes conseguem medir o interesse local sem assumir um custo fixo elevado. Essa estrutura de apoio também impulsiona a resposta das marcas nacionais, principalmente as que precisam se diferenciar.
Resposta brasileira aposta em diferenciação
No entanto, se orçamento e escala favorecem os grupos globais, a resposta brasileira não está em imitar uma maison europeia.
PatBO: artesanato e presença internacional
A PatBO é um caso bem-sucedido no mercado com seu bordado e trabalho artesanal. Além disso, a marca de Patrícia Bonaldi também está presente em 35 países, incluindo uma loja própria no SoHo, em Nova York. Antes do endereço próprio nos Estados Unidos, a expansão passou por atacado, multimarcas e lojas de departamento. Dessa forma, a sequência permitiu testar produto e distribuição antes de assumir o custo fixo de uma flagship.
Portanto, a presença internacional, segundo Katherine Sresnewsky, produz uma validação adicional aos olhos do público doméstico. “As marcas que vão para fora bebem desse prestígio. Eu digo que elas ‘vestem outra bolsa’: a de poder afirmar ‘eu estou lá fora, você não’. O consumidor brasileiro sabe como é difícil uma marca estar no exterior e passa a olhar para ela de outro jeito”, diz.
Adriana Degreas: resortwear de destaque
Além disso, destacada pelas consultoras, Adriana Degreas construiu distribuição internacional e nome de destaque no chamado resortwear.
P. Andrade: moda masculina contemporânea
Ademais, criada em 2021, a P. Andrade tenta ocupar uma posição própria na moda masculina ao combinar referências brasileiras, pesquisa de materiais e design contemporâneo.
Escala em grupo e riscos de governança
Por outro lado, outra estratégia é buscar ganhar escala dentro de um grupo maior. Por exemplo, a Cris Barros entrou no portfólio do Grupo Soma em 2016 e hoje integra o Azzas 2154, criado com a fusão de Arezzo&Co e Soma em 2024. Ou seja, são caminhos diferentes, mas baseados na mesma lógica: ser lembrada por algo específico para conquistar espaço no guarda-roupas do cliente de luxo.
A estrutura compartilhada oferece lojas, logística, tecnologia e capital que uma marca independente dificilmente financiaria sozinha. Por outro lado, a etiqueta passa a depender das prioridades de investimento e da governança do conglomerado. Consequentemente, em 2026, uma disputa entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, os principais acionistas do grupo, chegou à Justiça e expôs esse risco.
Fonte
- investnews.com.br
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- A Dior não está sozinha (elle.com.br)
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