BTG Pactual entra em mercado de R$ 150 bi com benefícios
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O BTG Pactual anunciou na manhã desta quinta-feira, 20 de agosto, sua entrada no mercado de benefícios corporativos com o lançamento do cartão BTG Benefícios, da bandeira Mastercard, que reúne vale-alimentação e vale-refeição. O movimento ocorre em um segmento que movimenta R$ 150 bilhões por ano e ganha ainda mais competitividade depois que o C6 Bank afirmou, dois dias antes, que também lançará um produto similar em 2026.

BTG Benefícios: gestão digital e integração com o app do banco

Segundo o banco, o cartão terá ampla rede de aceitação e contará com gestão digital para empresas e departamentos de recursos humanos, com uma experiência integrada ao aplicativo do BTG Pactual Banking para os usuários. O cartão estará disponível nas versões física e virtual, e poderá ser utilizado em compras presenciais, online e por meio de carteiras digitais.

Pelo aplicativo, será possível:

  • Ativar o cartão;
  • Gerar a versão virtual;
  • Acompanhar saldo e transações.

A plataforma também permitirá realizar recargas, emitir cartões físicos e virtuais, acompanhar a operação em tempo real e integrar a gestão aos sistemas de folha de pagamento. Com isso, a proposta é simplificar processos, aumentar a eficiência e integrar parceiros de benefícios, oferecendo mais visibilidade e controle às empresas na gestão dessa área.

“Queremos simplificar a gestão para as empresas e, ao mesmo tempo, oferecer aos colaboradores uma experiência mais prática e integrada no dia a dia”, afirmou, em nota, Marcelo Flora, sócio-diretor do BTG Pactual.

Disputa acirrada: gigantes, startups e novos entrantes

Historicamente, o setor é dominado por Ticket, Alelo, Pluxee (ex-Sodexo) e VR, todas com grandes bancos como sócios. Enquanto Bradesco e Banco do Brasil têm participações na Alelo, o Itaú detém uma fatia na Ticket e o Santander na Pluxee. Há cerca de sete anos, esse quarteto começou a ver seu domínio ser ameaçado com a chegada de startups dispostas a disruptar o setor.

A entrada do BTG ocorre dois dias depois de o C6 Bank anunciar que a estreia nesse espaço será um dos próximos passos de sua estratégia para os clientes do segmento de pessoa jurídica no segundo semestre de 2026. Startups como Flash, Swile e Caju também estão desafiando o setor. Posteriormente, esse trio ganhou a companhia de outros players que ingressaram no segmento, entre eles o iFood e o PicPay.

Flash capta R$ 150 milhões e intensifica disputa

Fundada em 2019, uma dessas novatas é a Flash, que na quarta-feira, 19 de agosto, anunciou a captação de uma rodada Série D de R$ 150 milhões, liderada pela Battery Venture e por Kevin Efrusy, sócio da Accel Partners, que ficou conhecido por encampar um dos primeiros aportes no Facebook. Com esses recursos, a startup, que já havia captado mais de R$ 800 milhões, planeja acelerar a tese que vem construindo nos últimos três anos, também centrada em reunir em uma única plataforma diversas rotinas dos RHs, inclusive em áreas como pessoas e gestão de despesas corporativas.

Disputas judiciais e novas regras do PAT

Essa competição ganhou capítulos na esfera judicial. A Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) moveu um processo contra as startups, alegando que atuavam de maneira ilegal no âmbito do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A disputa teve ponto final em março deste ano, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo julgou improcedentes as acusações de concorrência desleal registradas pela associação.

O encerramento do caso não significou o fim das batalhas. Uma outra disputa envolve um processo no âmbito do Conselho Administrativo de Defesa e Desenvolvimento (Cade) contra o iFood. O mercado, que movimenta R$ 150 bilhões anualmente, enfrenta essas disputas legais tendo como pano de fundo mudanças regulatórias recentes no PAT, que reformulam o cenário competitivo.

Mudanças no PAT afetam o setor

Com uma receita anual de R$ 150 bilhões e cobrindo um universo de aproximadamente 22 milhões de usuários, o PAT é o programa que rege as práticas dos segmentos de vale-alimentação e vale-refeição. As mudanças vêm sendo sancionadas e implantadas nos últimos anos, e parte delas começou a entrar em vigor neste ano. Além de estabelecer questões como arranjos abertos e o limite da taxa cobrada de restaurantes a um teto de 3,6%, o novo arcabouço passou a proibir práticas comuns no setor, como os rebates.

Na prática, os rebates eram os descontos, em média, de 2% a 5%, concedidos pelas empresas de benefícios às companhias, em particular as de grande porte, que contratavam os seus serviços no âmbito do PAT. Com a chegada de novos players e a mudança regulatória, o mercado de benefícios corporativos ganha mais um concorrente de peso, em um cenário de intensas movimentações.

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