A Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Unesp, o Hospital das Clínicas de Bauru e a Secretaria Municipal de Saúde de Agudos, deu início a uma iniciativa voltada à formação de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) para lidar com os impactos das mudanças climáticas na saúde da população. O projeto, denominado PET-Saúde/Clima, busca integrar ensino, serviço e comunidade, aproximando a formação universitária das necessidades concretas dos territórios.
A ação responde a uma demanda crescente por preparo diante de eventos climáticos extremos, que afetam diretamente o processo saúde-doença.
Segundo o professor José Sebastião dos Santos, coordenador do projeto e diretor da Faculdade de Medicina de Bauru (FMBRU-USP), a proposta reúne diferentes atores em uma construção coletiva. “Este projeto reúne docentes, estudantes, profissionais de saúde e gestores em uma proposta de integração entre ensino, serviço e comunidade para aproximar a formação universitária das necessidades concretas dos territórios e do Sistema Único de Saúde”, destaca. A fala evidencia o caráter interprofissional da iniciativa, que transcende os limites de uma única profissão ou instituição.
Integração entre universidade, SUS e comunidade
A participação integrada da USP, Unesp, HC Bauru e Secretaria Municipal de Saúde de Agudos amplia as possibilidades de formação interprofissional e de construção de respostas articuladas para problemas que ultrapassam os limites de uma única profissão ou instituição. Essa articulação permite que diferentes saberes — da medicina, enfermagem, saúde coletiva, gestão e outros campos — se encontrem no território, promovendo uma visão ampliada da saúde. A presença de múltiplas instituições também fortalece a capilaridade do projeto, alcançando comunidades que muitas vezes ficam à margem das discussões acadêmicas.
A integração não se limita ao ambiente universitário; ela se materializa nas ruas, nas unidades de saúde e nos espaços comunitários onde as pessoas vivem e adoecem.
Um dos principais diferenciais do PET-Saúde é a aprendizagem feita a partir da realidade dos serviços e das comunidades. Estudantes, docentes e profissionais de saúde trabalham conjuntamente nos territórios, buscando compreender como as condições ambientais, sociais e climáticas interferem no processo saúde-doença e na organização da assistência. Essa imersão permite identificar, por exemplo, como ondas de calor afetam idosos, como enchentes aumentam casos de leptospirose ou como a poluição do ar agrava doenças respiratórias.
A partir dessas observações, os participantes desenvolvem intervenções adaptadas às necessidades locais, em vez de aplicar fórmulas prontas. Essa abordagem territorializada é essencial para um SUS que se pretende equânime e resolutivo.
Formação alinhada às diretrizes curriculares
Para o dirigente da FMBRU-USP, a expectativa é que essa experiência contribua também para o aprimoramento da formação dos estudantes da área da saúde, em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais, fortalecendo a presença de temas relacionados às mudanças climáticas, à equidade e às necessidades do SUS nos processos formativos. Isso significa que os currículos passam a incorporar, de forma mais explícita, conteúdos sobre saúde ambiental, vulnerabilidade climática e justiça social.
Os estudantes, ao vivenciarem situações reais, desenvolvem competências que vão além do conhecimento técnico, como escuta qualificada, trabalho em equipe e capacidade de adaptação a cenários incertos. A formação deixa de ser centrada apenas na doença e passa a considerar os determinantes sociais e ambientais da saúde.
Além disso, a presença de temas como equidade e necessidades do SUS nos processos formativos prepara os futuros profissionais para atuar em um sistema público complexo e diverso. A fonte não detalhou quais disciplinas específicas serão alteradas, mas a menção às Diretrizes Curriculares Nacionais indica um movimento de atualização pedagógica. Essa atualização é urgente diante da aceleração das mudanças climáticas, que já pressionam os serviços de saúde em todo o país.
A integração entre teoria e prática, característica do PET-Saúde, é um caminho reconhecido para formar profissionais mais sensíveis e preparados para os desafios contemporâneos.
Respostas articuladas para desafios contemporâneos
O PET-Saúde/Clima constitui, assim, não apenas uma iniciativa de formação acadêmica, mas uma oportunidade estratégica de aproximar universidades, serviços de saúde e comunidades na construção de respostas para um dos principais desafios contemporâneos da saúde pública: as mudanças climáticas e o meio ambiente. A magnitude desse desafio exige cooperação entre setores que historicamente atuam de forma isolada. Ao reunir academia, gestão e assistência, o projeto cria um espaço de diálogo e ação conjunta, onde o conhecimento científico se traduz em práticas concretas.
As respostas construídas nesse contexto tendem a ser mais sustentáveis, pois nascem das demandas reais dos territórios e envolvem os atores locais em todas as etapas.
A iniciativa também aponta para a necessidade de o SUS se antecipar aos efeitos das mudanças climáticas, em vez de apenas reagir a eles. A formação de profissionais capacitados para identificar riscos, planejar ações preventivas e atuar em situações de emergência é um passo fundamental nessa direção. Embora a fonte não tenha detalhado o cronograma ou o número de participantes, a abrangência institucional sugere um alcance significativo.
O projeto se insere em um movimento mais amplo de reorientação da formação em saúde, que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental — conceito conhecido como Saúde Única. Essa visão integrada é cada vez mais necessária em um cenário de crise climática global.
Por fim, a experiência do PET-Saúde/Clima pode servir de modelo para outras regiões do país, demonstrando que é possível aliar excelência acadêmica e compromisso social. A articulação entre USP, Unesp, HC Bauru e Secretaria de Saúde de Agudos mostra que a colaboração interinstitucional é viável e produtiva quando há objetivos comuns claros. Os resultados dessa iniciativa poderão subsidiar políticas públicas e práticas de saúde mais resilientes, capazes de proteger as populações mais vulneráveis.
A fonte não detalhou os próximos passos, mas o engajamento já demonstrado indica continuidade e potencial de expansão. Em um contexto de incertezas climáticas, investir na formação de profissionais do SUS é investir na proteção da saúde coletiva.
Fonte
- medicinasa.com.br
- projeto (fmbru.usp.br)
- Edital nº 23/2026 (www.gov.br)
