Crise do turismo em Cuba colapso afeta operadores e hotéis
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Expansão interrompida pela crise

Há uma década, o turismo em Cuba vivia um momento de expansão. Sarah Foda, gerente de destinos da Caribbean Tours para Cuba, começou a trabalhar nas operações da empresa na ilha quando 84 funcionários recebiam milhares de visitantes estrangeiros por mês. Hoje, o cenário é radicalmente diferente.

Problemas de infraestrutura, combinados com a cobertura negativa da imprensa internacional sobre apagões e acúmulo de lixo, prejudicaram a demanda turística. A crise se agravou a ponto de operadores compararem a situação a uma pandemia.

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Raízes históricas do turismo cubano

Antes da revolução de 1959, Cuba era um destino turístico para americanos atraídos por praias, vida noturna, prostituição e cassinos. Fidel Castro, no entanto, via o turismo como uma via de corrupção e influência dos Estados Unidos. Ele nacionalizou hotéis, fechou cassinos e priorizou as exportações de açúcar.

Após o colapso da União Soviética em 1991, Cuba voltou a apostar no turismo como fonte de sobrevivência econômica. O país investiu em resorts e hotéis em parceria com redes espanholas e canadenses, retomando o fluxo de visitantes.

Infraestrutura precária afasta visitantes

O acúmulo de lixo, água parada e a deterioração do sistema de saúde contribuíram para surtos de doenças transmitidas por mosquitos, afastando turistas. Christopher Baker, autor britânico e guia turístico que vive parte do tempo em Cuba, relatou que muitos clientes cancelaram viagens mesmo com garantias de combustível, eletricidade e segurança.

Após apagões generalizados desde 2024, operadores turísticos passaram a depender de energia solar e veículos elétricos para atender os poucos visitantes restantes. A falta de infraestrutura básica tornou-se um obstáculo intransponível para a recuperação do setor.

Hotéis e restaurantes fecham as portas

Andrea Gallina, empresário italiano, fechou em 1º de abril um hotel em uma mansão colonial em Havana Velha. A ocupação do hotel caiu para 20%, depois 10%, depois 5%. A crise de energia e combustível tornou inviável manter o negócio.

Um restaurante de frutos do mar em Havana já perdeu 90% da receita e considera fechar. Apesar disso, mantém as portas abertas para garantir alguma renda aos funcionários. Guias turísticos cancelaram viagens após o agravamento da crise, e profissionais do setor relatam colapso da atividade. Um guia da região histórica de Havana perdeu o emprego neste ano.

Pequenos sinais de resistência

Alguns turistas continuam indo ao país e relatam experiências marcantes com a população local. Apesar das dificuldades, há quem ainda encontre encanto na ilha. No entanto, o futuro do turismo cubano permanece incerto, dependente de melhorias estruturais e da reversão da imagem negativa no exterior.

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