Trump e Xi prometem concorrência saudável em encontro
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, reuniram-se nesta quinta-feira na Casa Branca para o início da visita de Estado do líder chinês. No encontro, ambos se comprometeram a cooperar no âmbito de uma “concorrência saudável”, enquanto abordavam temas delicados como comércio, inteligência artificial e tensões globais.

Amizade extraordinária e responsabilidade histórica

Trump enalteceu a “amizade verdadeiramente extraordinária” que desenvolveu com Xi Jinping desde sua primeira eleição, em 2016. “Desde a minha primeira eleição, em 2016, o presidente Xi e eu construímos uma amizade, uma amizade realmente extraordinária, baseada no respeito mútuo e nos interesses vitais dos nossos povos”, disse Trump, recordando também a cooperação durante a Segunda Guerra Mundial.

Xi, por sua vez, sublinhou que China e Estados Unidos são as duas superpotências que, “perante as mudanças no nosso mundo, na nossa época e de importância histórica hoje”, assumem “uma responsabilidade histórica de fazer avançar o desenvolvimento e o progresso da humanidade”. A muito aguardada visita começou com os dois líderes evocando a longa relação que mantêm, mas os dois rivais económicos globais preparavam-se para abordar nas conversações formais os principais dossiês delicados.

Comércio e tecnologia na agenda

Trump adiantou que Estados Unidos e China estão a trabalhar para relações comerciais “mais equilibradas” e que as conversações se centrariam em política externa, comércio, cooperação financeira, segurança e inteligência artificial, identificada por ambos como tema central. Em matéria comercial, a China está a pressionar os Estados Unidos para aliviar as restrições às exportações de chips avançados de última geração.

As duas partes acordaram na quarta-feira prolongar por dois meses uma trégua comercial de um ano que deveria expirar a 10 de novembro, enquanto procuram um acordo mais duradouro. Xi disse esperar “que as empresas chinesas sejam tratadas com justiça aqui nos Estados Unidos”, ao mesmo tempo que a China continuará a acolher empresas norte-americanas no seu território, e defendeu que “a concorrência deve ser saudável e mantida dentro de limites aceitáveis”.

Inteligência artificial sob controle humano

Xi voltou a referir-se à inteligência artificial nas declarações iniciais, afirmando que os dois países têm a responsabilidade de garantir que são sempre os seres humanos a operar esses sistemas. “Temos tanto a capacidade como a responsabilidade de desenvolver e gerir a inteligência artificial para fins benéficos e garantir que a sua evolução permanece sempre sob controlo humano e ao serviço do bem-estar das pessoas”, afirmou o líder chinês.

Trump escreveu, numa publicação nas redes sociais, esta quinta-feira, que a inteligência artificial estará no topo da agenda, numa altura em que cresce a preocupação global de que a tecnologia possa representar uma ameaça para a humanidade. “Quero deixá-la exatamente onde está”, escreveu Trump. “Essa é também a posição da China.” Os ministros das Finanças dos dois países reuniram-se no início da semana, ocasião em que os Estados Unidos propuseram um novo “mecanismo de notificação” para incidentes relacionados com IA entre as duas nações.

Tensões globais e gestos de aproximação

A China tem resistido às pressões e ameaças económicas da administração Trump para usar a sua vasta influência e convencer o Irão a aceitar as condições norte-americanas para pôr fim à guerra no Irão, apesar de Pequim ser muito mais dependente do petróleo do Golfo do que os Estados Unidos. Pequim condenou a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e Xi já tinha manifestado preocupação por o conflito poder significar um regresso àquilo a que chamou então “lei da selva”.

Em maio, Trump descreveu as vendas de armas a Taiwan como uma “excelente moeda de troca” nas negociações com a China. No final das declarações iniciais, Xi anunciou ainda que a China vai convidar 100.000 jovens norte-americanos a deslocarem-se ao país, nos próximos cinco anos, para estudos e programas de intercâmbio e que enviará dois pandas para o jardim zoológico de Atlanta. Descreveu estes animais muito apreciados como “embaixadores da amizade”.

“Deve ser uma corrida para acompanhar o ritmo uma da outra, não uma luta em que um ganha e o outro perde”, afirmou Xi, resumindo o espírito do encontro.

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